quinta-feira, 1 de agosto de 2024
A massificação da burrice na era da Idiocracia
domingo, 14 de julho de 2024
"A Cultura da Violência e da Arma nos Estados Unidos: Reflexões Históricas e Críticas Sociológicas"
Os Estados Unidos, ao longo de sua história, têm sido palco de atentados que marcaram profundamente sua trajetória política e social. Entre os mais notórios estão os assassinatos de John F. Kennedy e Martin Luther King Jr., eventos que não só mudaram o curso da história americana, mas também geraram um intenso debate sobre a cultura da violência e a proliferação de armas no país.
John F. Kennedy, o 35º presidente dos Estados Unidos, foi assassinado em 22 de novembro de 1963, em Dallas, Texas. Kennedy representava a esperança de uma nova era, com promessas de progresso social e avanços em direitos civis. Seu assassinato chocou o mundo e gerou inúmeras teorias da conspiração. O historiador William Manchester, em sua obra "The Death of a President", detalha o impacto devastador do evento na nação americana e a atmosfera de incerteza que se seguiu.
Cinco anos depois, em 4 de abril de 1968, Martin Luther King Jr., líder do movimento pelos direitos civis, foi assassinado em Memphis, Tennessee. King lutava contra a segregação racial e por igualdade de direitos para os afro-americanos. Seu assassinato acentuou as tensões raciais nos Estados Unidos e provocou uma onda de protestos e distúrbios em várias cidades. O sociólogo David Garrow, em seu livro "Bearing the Cross", explora a vida e o legado de King, assim como a profunda tristeza e a raiva que sua morte causou.
Além desses casos, a história dos Estados Unidos está repleta de outros atentados que tiveram implicações significativas. O assassinato de Robert F. Kennedy em 1968, o atentado contra Ronald Reagan em 1981, e o atentado ao World Trade Center em 2001 são exemplos de eventos que mudaram o curso da política e da sociedade americana.
A cultura da guerra e da arma legalizada nos Estados Unidos tem sido objeto de críticas e análises por diversos estudiosos. O historiador Richard Hofstadter, em seu ensaio "American Violence: A Documentary History", argumenta que a violência é uma parte intrínseca da história americana, moldada pela conquista do Oeste e pelo mito do individualismo armado. A socióloga Katherine Newman, em "Rampage: The Social Roots of School Shootings", investiga as causas sociais e culturais por trás dos tiroteios em massa, destacando a facilidade de acesso às armas como um fator crucial.
A proliferação de armas de fogo e a cultura de glorificação da violência são frequentemente citadas como causas subjacentes desses atos de violência extrema. A Second Amendment da Constituição dos Estados Unidos, que garante o direito de portar armas, é um ponto de discórdia. Críticos argumentam que a interpretação ampla desse direito contribui para uma sociedade mais violenta. Michael Moore, em seu documentário "Bowling for Columbine", faz uma crítica mordaz à cultura de armas nos Estados Unidos, sugerindo que a obsessão nacional por armas é uma manifestação de medo e insegurança.
Por outro lado, defensores do direito de portar armas, como a National Rifle Association (NRA), argumentam que a posse de armas é uma questão de liberdade individual e autodefesa. No entanto, as estatísticas de violência armada nos Estados Unidos, comparadas a outros países desenvolvidos, indicam que há uma correlação entre a alta taxa de posse de armas e a incidência de crimes violentos.
Em suma, os atentados contra figuras emblemáticas como Kennedy e Martin Luther King Jr. são lembretes trágicos das consequências devastadoras da violência armada. A cultura da guerra e da arma legalizada nos Estados Unidos continua a ser um tema de intenso debate, refletindo as profundas divisões na sociedade americana sobre questões de segurança, liberdade e violência.
A reflexão sobre a violência e o uso de armas nos Estados Unidos pode ser enriquecida pela obra de Hannah Arendt. Em seu livro "On Violence" (Sobre a Violência), Arendt distingue entre poder, força, autoridade e violência, argumentando que a violência é frequentemente um sinal de impotência política. Para Arendt, a violência nunca pode criar poder; ao contrário, ela destrói o poder e as estruturas políticas que sustentam uma sociedade. Esse argumento é particularmente relevante no contexto dos atentados nos Estados Unidos, onde a violência política não só eliminou líderes influentes como Kennedy e Martin Luther King Jr., mas também abalou profundamente a confiança pública nas instituições democráticas.
Além de Arendt, outros pensadores têm contribuído para a compreensão da violência e da cultura armamentista nos Estados Unidos. Michel Foucault, em sua obra "Discipline and Punish" (Vigiar e Punir), explora como o controle social e a violência estão interligados nas sociedades modernas. Ele argumenta que a violência é frequentemente utilizada como uma ferramenta de controle e disciplina, uma perspectiva que pode ser aplicada ao estudo da violência política e dos atentados nos Estados Unidos.
O sociólogo Zygmunt Bauman, em "Modernity and the Holocaust" (Modernidade e Holocausto), discute como a modernidade trouxe novas formas de violência sistemática e organizada. Embora seu foco principal seja o Holocausto, suas ideias sobre a violência burocrática e tecnológica podem ser aplicadas para entender eventos como o atentado ao World Trade Center, onde a violência foi perpetrada de maneira altamente organizada e planejada.
Na esfera da cultura e sociedade, o crítico cultural Richard Slotkin, em "Gunfighter Nation: The Myth of the Frontier in Twentieth-Century America" (Nação do Pistoleiro: O Mito da Fronteira na América do Século XX), argumenta que a mitologia da fronteira e do pistoleiro solitário é central para a identidade americana e alimenta a glorificação da violência e das armas. Segundo Slotkin, essa narrativa cultural contribui para a aceitação social das armas e da violência como meios legítimos de resolver conflitos.
A historiadora Roxanne Dunbar-Ortiz, em "Loaded: A Disarming History of the Second Amendment" (Carregado: Uma História Desarmante da Segunda Emenda), fornece uma análise crítica da Segunda Emenda e de como a posse de armas foi entrelaçada com questões de poder, racismo e colonialismo nos Estados Unidos. Ela argumenta que a defesa do direito às armas está enraizada em uma história de violência e opressão.
Em um contexto mais contemporâneo, a socióloga Abigail A. Kohn, em "Shooters: Myths and Realities of America’s Gun Culture" (Atiradores: Mitos e Realidades da Cultura de Armas na América), explora as percepções e mitos em torno da posse de armas nos Estados Unidos. Ela destaca a complexidade das atitudes dos americanos em relação às armas, revelando uma cultura profundamente enraizada que vê as armas como símbolos de liberdade e autossuficiência.
Em conclusão, a violência armada e os atentados nos Estados Unidos são fenômenos complexos, enraizados em uma história e cultura que glorificam as armas e a violência como meios de poder e controle. Os atentados contra figuras proeminentes como John F. Kennedy e Martin Luther King Jr. são exemplos trágicos dessa dinâmica, e a crítica de autores como Hannah Arendt, Michel Foucault, Zygmunt Bauman, Richard Slotkin, Roxanne Dunbar-Ortiz e Abigail A. Kohn fornece uma compreensão mais profunda das raízes e implicações dessa cultura de violência. Esses eventos e reflexões nos convidam a questionar e repensar as narrativas que sustentam a proliferação de armas e a legitimação da violência na sociedade americana.
segunda-feira, 1 de julho de 2024
Star Wars: Uma Saga de Conflitos Políticos
No universo de Star Wars, a República representa o ideal democrático, onde diversos sistemas planetários são governados por um Senado representativo. Este modelo lembra as democracias liberais ocidentais, que valorizam a representação e a participação dos cidadãos. Alexis de Tocqueville, em sua obra "Democracy in America", descreve a importância da igualdade e da participação cívica na manutenção de uma democracia saudável.
Tocqueville observa:
"A tirania da maioria pode ser uma ameaça tão grande quanto a de um único tirano; e a única maneira de garantir a liberdade é através de instituições que promovam a igualdade e a participação cívica" (Tocqueville, 2000, p. 255).
Da mesma forma, a República de Star Wars busca manter a paz e a justiça através da representação equitativa e do estado de direito. A queda da República e a ascensão do Império refletem a fragilidade das democracias frente às ameaças internas e externas.
Em contraste, o Império Galáctico, liderado pelo Imperador Palpatine, simboliza o autoritarismo e a tirania. Este regime centralizado e opressor reflete as ditaduras e regimes totalitários da história real, como o nazismo de Adolf Hitler ou o fascismo de Benito Mussolini. Hannah Arendt, em "The Origins of Totalitarianism", explora como regimes totalitários emergem e se mantêm através da propaganda, repressão e eliminação da oposição. Arendt escreve:
"O totalitarismo começa no desprezo pelo que você tem. A segunda etapa é a destruição do que você tem. O terceiro estágio é a morte do que você é" (Arendt, 1951, p. 456).
O Império de Star Wars utiliza métodos similares, incluindo o controle totalitário e a intimidação através do uso da força militar. A centralização do poder nas mãos de Palpatine e a manipulação do medo e da propaganda para controlar a população são ecoadas na análise de Arendt sobre como regimes totalitários operam.
A luta entre a Aliança Rebelde e o Império pode ser comparada às revoluções e movimentos de resistência no mundo real. O historiador Eric Hobsbawm, em "The Age of Revolution", descreve como a luta pela liberdade e autodeterminação tem sido uma constante na história humana. Hobsbawm observa:
"As revoluções não são apenas momentos de ruptura, mas também processos contínuos de mudança, impulsionados pela aspiração de liberdade e justiça" (Hobsbawm, 1962, p. 134).
A Aliança Rebelde, formada por diversas facções e liderada por figuras como Leia Organa e Luke Skywalker, espelha movimentos de resistência que lutam contra a opressão e pela restauração da justiça e da democracia. A determinação e a resiliência dos rebeldes são emblemáticas das lutas revolucionárias descritas por Hobsbawm.
A história de Star Wars pode ser vista como uma alegoria das lutas políticas contemporâneas. A ascensão do Império através da manipulação política e da militarização é comparável à forma como líderes autoritários modernos consolidam poder. No mundo atual, vemos ameaças à democracia em várias partes do globo, onde líderes populistas e autoritários utilizam táticas semelhantes às de Palpatine para subverter instituições democráticas e concentrar poder.
Por outro lado, a perseverança e a luta da Aliança Rebelde refletem a contínua luta por direitos humanos e justiça social. Movimentos contemporâneos, como a Primavera Árabe ou os protestos em Hong Kong, mostram que a busca pela liberdade e pela dignidade humana é um impulso universal e atemporal.
Star Wars não é apenas uma saga de ficção científica, mas uma poderosa reflexão sobre as dinâmicas políticas e sociais do mundo real. A disputa entre o Império e a República oferece uma rica metáfora para os conflitos entre autoritarismo e democracia, tirania e liberdade. Ao analisar esses temas através das lentes de autores como Alexis de Tocqueville, Hannah Arendt e Eric Hobsbawm, podemos apreciar como a narrativa de Star Wars ressoa com as lutas políticas e sociais que moldam nosso mundo.
Referências Bibliográficas
Arendt, H. (1951). The Origins of Totalitarianism. New York: Harcourt, Brace & Company.
Hobsbawm, E. (1962). The Age of Revolution: Europe 1789-1848. London: Weidenfeld & Nicolson.
Tocqueville, A. (2000). Democracy in America. Chicago: University of Chicago Press.
segunda-feira, 20 de maio de 2024
A Influência das Redes Sociais na Perpetuação do Machismo e da Cultura do Estupro
O machismo e a cultura do estupro são fenômenos sociais profundamente enraizados que perpetuam a violência de gênero e a desigualdade entre homens e mulheres. Esses problemas são amplificados e disseminados por meio das redes sociais, que, embora possuam um potencial significativo para a mobilização e conscientização, também reproduzem e reforçam comportamentos e discursos misóginos. Este trabalho visa discutir a influência das redes sociais na perpetuação do machismo e da cultura do estupro, utilizando como base a análise crítica de autores relevantes sobre o tema.
O machismo pode ser definido como um conjunto de atitudes, comportamentos e práticas que privilegiam os homens em detrimento das mulheres, perpetuando a desigualdade de gênero (Saffioti, 1987). A cultura do estupro, por sua vez, refere-se a um ambiente social em que a violência sexual é normalizada e minimizada, frequentemente culpando as vítimas e isentando os agressores (Franco, 2015).
As redes sociais são espaços de interação e troca de informações que possuem um impacto significativo na formação de opiniões e comportamentos sociais. De acordo com Braga (2018), as redes sociais têm o potencial de reproduzir e amplificar o machismo presente na sociedade, visto que os discursos misóginos encontram um vasto alcance e uma audiência diversificada. A autora argumenta que a anonimidade e a ausência de regulamentação rigorosa nas plataformas digitais contribuem para a disseminação de discursos de ódio e violência de gênero.
As redes sociais não só reproduzem, mas também normalizam a cultura do estupro. Mapeando os comportamentos online, Nunes (2020) identificou que a objetificação das mulheres, a culpabilização das vítimas e a exaltação da masculinidade tóxica são comuns em plataformas como Facebook, Twitter e Instagram. Essas práticas são reforçadas por meio de memes, comentários e compartilhamentos que banalizam a violência sexual e incentivam a misoginia.
Apesar dos aspectos negativos, as redes sociais também servem como uma ferramenta poderosa para movimentos de resistência e conscientização. Iniciativas como #MeToo e #NiUnaMenos utilizam essas plataformas para dar visibilidade às denúncias de violência sexual e mobilizar a sociedade contra o machismo e a cultura do estupro (Serrano, 2019). Essas campanhas demonstram que as redes sociais podem ser um espaço de empoderamento e mudança social quando utilizadas de forma crítica e consciente.
A análise dos impactos das redes sociais sobre o machismo e a cultura do estupro revela um cenário complexo. Enquanto essas plataformas podem amplificar comportamentos e discursos misóginos, elas também oferecem um espaço para a mobilização e a conscientização social. A educação digital e a regulamentação das plataformas são essenciais para mitigar os efeitos negativos e promover um ambiente virtual mais igualitário e respeitoso. A luta contra o machismo e a cultura do estupro requer um esforço coletivo e contínuo, no qual as redes sociais desempenham um papel crucial.
Um dos desafios mais significativos é a responsabilidade das empresas que gerenciam essas redes sociais. Conforme observa Jane (2016), as empresas de tecnologia muitas vezes falham em aplicar políticas rigorosas contra o discurso de ódio e a misoginia. A autora destaca a necessidade de algoritmos mais sofisticados e equipes dedicadas à moderação de conteúdo para identificar e remover material ofensivo. Além disso, há um apelo crescente para que as plataformas adotem uma postura proativa, promovendo campanhas educativas e colaborando com organizações de direitos humanos para criar um ambiente digital mais seguro.
Outro aspecto importante é a influência das redes sociais na formação de identidades e comportamentos de jovens. Estudos mostram que a exposição constante a conteúdos que objetificam mulheres e normalizam a violência sexual pode impactar negativamente as atitudes e comportamentos de adolescentes. De acordo com Ringrose (2013), a cultura do "sexting" e a pressão para compartilhar imagens sexualizadas aumentam a vulnerabilidade das jovens a abusos e assédio online. Este fenômeno também contribui para a internalização de normas misóginas, afetando a autoimagem e as relações interpessoais.
No entanto, é crucial reconhecer o papel positivo que as redes sociais podem desempenhar na desconstrução do machismo e na promoção da igualdade de gênero. Campanhas de conscientização, como as mencionadas anteriormente, têm um alcance global e podem influenciar mudanças significativas nas atitudes sociais. A visibilidade de sobreviventes de violência sexual e a solidariedade demonstrada por meio de hashtags como #MeToo ajudam a romper o silêncio e a estigmatização em torno do tema. Esses movimentos encorajam as vítimas a denunciar e buscar justiça, além de pressionar as autoridades para implementar políticas mais eficazes de prevenção e combate à violência de gênero.
Além disso, as redes sociais permitem a formação de comunidades de apoio e empoderamento. Grupos online e fóruns dedicados a discutir questões de gênero e compartilhar experiências pessoais fornecem um espaço seguro para troca de informações e suporte emocional. Essas comunidades são vitais para o fortalecimento do movimento feminista e a promoção de uma cultura de respeito e igualdade.
A educação digital desempenha um papel fundamental nesse contexto. Programas educacionais voltados para o uso consciente e crítico das redes sociais podem ajudar a mitigar os efeitos negativos da exposição a conteúdos prejudiciais. Segundo Livingstone (2014), é essencial que pais, educadores e jovens sejam capacitados para reconhecer e responder a discursos de ódio e violência online. A promoção de habilidades digitais, aliada a uma compreensão crítica das dinâmicas de poder e desigualdade de gênero, pode contribuir para a criação de um ambiente digital mais saudável e inclusivo.
Em conclusão, as redes sociais possuem um papel ambivalente na questão do machismo e da cultura do estupro. Enquanto amplificam comportamentos e discursos prejudiciais, também oferecem ferramentas poderosas para a conscientização e a mobilização social. A implementação de políticas rigorosas de moderação de conteúdo, a promoção de campanhas educativas e o fortalecimento das comunidades online são passos essenciais para transformar essas plataformas em aliadas na luta contra a violência de gênero. A colaboração entre empresas de tecnologia, governos e sociedade civil é fundamental para construir um futuro digital mais justo e igualitário.
Referências
BRAGA, Renata. Machismo nas Redes Sociais: Uma Análise Crítica. São Paulo: Editora Contexto, 2018.
FRANCO, Adriana. Cultura do Estupro: Desafios e Perspectivas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2015.
NUNES, Mariana. Violência de Gênero nas Redes Sociais: Estudos de Caso. Brasília: Editora UnB, 2020.
SAFFIOTI, Heleieth. O Poder do Machismo. São Paulo: Moderna, 1987.
SERRANO, Silvana. Movimentos de Resistência e Redes Sociais: O Impacto de Campanhas como #MeToo e #NiUnaMenos. Porto Alegre: Editora Penso, 2019.
sexta-feira, 3 de maio de 2024
terça-feira, 30 de abril de 2024
Deus e o Diabo na Terra de Glauber
Glauber Rocha, um dos mais importantes cineastas brasileiros, deixou um legado marcante que transcendeu as fronteiras do cinema. Nascido em Vitória da Conquista, Bahia, em 1939, Rocha foi uma figura crucial no movimento do Cinema Novo, que revolucionou a produção cinematográfica brasileira nas décadas de 1960 e 1970.
Seus filmes são conhecidos por sua abordagem única e inovadora, que mescla elementos do cinema europeu e do cinema novo latino-americano com uma profunda reflexão sobre a realidade social e política do Brasil. Seus principais trabalhos inluem:
"Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964): Este filme, considerado uma obra-prima do Cinema Novo, retrata a história de um vaqueiro nordestino que se rebela contra a opressão e exploração. Com imagens impactantes e uma narrativa complexa, o filme aborda questões como violência, religião e luta de classes.
"Terra em Transe" (1967): Outra obra fundamental de Rocha, este filme é uma reflexão sobre o poder político e a manipulação da mídia. Situado em um país fictício da América Latina, o filme segue um jornalista que se torna um político comprometido com suas ideias, mas que eventualmente é corrompido pelo sistema que tenta mudar.
"O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" (1969): Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, este filme é uma continuação espiritual de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", explorando temas como a violência e a injustiça no Brasil rural.
Além de sua filmografia impressionante, Glauber Rocha também foi um pensador influente sobre o cinema brasileiro e latino-americano. Ele escreveu extensivamente sobre a relação entre cinema e sociedade, destacando a importância do cinema como uma forma de arte política e de expressão cultural.
Autores relevantes sobre a história do cinema brasileiro, que também contribuíram para a compreensão do trabalho de Rocha e seu impacto na sociedade brasileira, incluem Jean-Claude Bernardet, Ismail Xavier e Paulo Emílio Salles Gomes. Esses estudiosos ajudaram a contextualizar o Cinema Novo dentro do cenário cultural e político do Brasil, destacando sua importância como uma forma de resistência e crítica social.
A obra de Glauber Rocha está intrinsecamente ligada aos aspectos da sociedade brasileira. Seus filmes abordam questões como a desigualdade social, a violência, a exploração econômica e as contradições políticas do país, oferecendo uma visão penetrante e provocativa da realidade brasileira. Rocha desafiou convenções estéticas e narrativas, buscando criar um cinema que fosse verdadeiramente brasileiro em sua essência, mas universal em sua mensagem. Seu trabalho continua a inspirar cineastas e intelectuais até os dias de hoje, mantendo-se como uma voz relevante e poderosa na cultura brasileira.
Ao aprofundarmos o tema do Cinema Novo e da obra de Glauber Rocha, podemos encontrar conexões significativas com as ideias de Walter Benjamin e o trabalho do historiador do cinema Marc Ferro.
Walter Benjamin, em suas reflexões sobre a cultura e a arte, destacou a importância da obra de arte como uma forma de expressão que carrega consigo as condições sociais e históricas de sua produção. Ele desenvolveu a noção de "aura" da obra de arte, argumentando que a reprodução técnica, como no cinema, poderia transformar essa aura e democratizar o acesso à arte.
No contexto do Cinema Novo brasileiro, as obras de Glauber Rocha e seus contemporâneos refletem esse desejo de democratização cultural e social. Rocha e outros cineastas buscavam romper com as convenções estéticas do cinema comercial e produzir filmes que fossem mais acessíveis ao público brasileiro, ao mesmo tempo em que exploravam questões profundas da sociedade.
A influência de Benjamin também pode ser vista na abordagem de Rocha em relação à montagem cinematográfica. Assim como Benjamin discutiu a ideia de montagem como uma forma de revelar as contradições sociais e históricas, Rocha utilizou técnicas de montagem inovadoras para criar um discurso cinematográfico que fosse crítico e provocativo.
Por outro lado, o historiador do cinema Marc Ferro oferece uma perspectiva interessante ao analisar o Cinema Novo no contexto das transformações políticas e sociais do Brasil. Ferro argumenta que o movimento cinematográfico brasileiro estava intrinsecamente ligado ao contexto político da época, especialmente durante os anos de ditadura militar.
Nesse sentido, os filmes de Glauber Rocha e seus contemporâneos podem ser vistos como formas de resistência e contestação ao regime autoritário. Suas obras frequentemente abordavam temas como a opressão social, a luta de classes e a violência política, oferecendo uma visão crítica da realidade brasileira.
Portanto, ao considerarmos a obra de Glauber Rocha à luz das ideias de Walter Benjamin e das análises de Marc Ferro, podemos perceber como o Cinema Novo brasileiro foi uma forma de arte profundamente enraizada em seu contexto histórico e social. Suas obras não apenas refletiam as condições de vida no Brasil, mas também buscavam transformar essas condições por meio de uma expressão artística ousada e inovadora.
domingo, 28 de abril de 2024
Vermelho Brasil
O enredo segue dois irmãos, Just e Colombe, que são contratados como intérpretes por Nicolas Durand de Villegagnon, o líder da expedição francesa. Os irmãos, inicialmente cativos, se envolvem profundamente nos conflitos entre os colonizadores franceses e os povos indígenas, bem como nas intrigas políticas e religiosas entre católicos e protestantes. A história se desenrola mostrando as dificuldades e aventuras enfrentadas pelos colonos franceses em uma terra desconhecida e hostil, culminando em um confronto dramático pelo controle da colônia.
No ano de 1555, uma expedição francesa liderada por Nicolas Durand de Villegagnon chega ao Brasil com a missão de estabelecer uma colônia na Baía de Guanabara, hoje conhecida como Rio de Janeiro. Entre os colonos, estão Just e Colombe, dois irmãos que foram capturados e agora atuam como intérpretes. À medida que se adaptam à nova vida, os irmãos se veem divididos entre sua lealdade aos franceses e as relações que começam a desenvolver com os povos indígenas locais.
A colônia, chamada França Antártica, enfrenta inúmeras adversidades, incluindo doenças, escassez de alimentos, e conflitos constantes com os colonos portugueses que também desejam a posse do território. Além disso, tensões religiosas entre católicos e protestantes franceses ameaçam a unidade dos colonos.
Villegagnon, um líder carismático mas autoritário, enfrenta desafios crescentes ao tentar manter o controle sobre a colônia. Sua visão de um refúgio para os protestantes na Nova França é constantemente ameaçada por intrigas internas e pela resistência feroz dos portugueses e dos indígenas.
"Vermelho Brasil" é um épico histórico que retrata a luta pela sobrevivência e o choque de culturas durante um dos momentos mais intrigantes da história da colonização das Américas.
Ficha Técnica
- Título Original: Rouge Brésil
- Direção: Sylvain Archambault
- Roteiro: Jean-Christophe Rufin (baseado em seu próprio romance)
- Elenco Principal:
- Stellan Skarsgård como Nicolas Durand de Villegagnon
- Joaquim de Almeida como Le Chancelier
- Théo Frilet como Just
- Juliette Lamboley como Colombe
- Sergio Machado como Tibiriçá
- Produção: Pampa Films, Ficción Producciones, France 2 Cinéma
- Gênero: Drama, Histórico, Aventura
- Duração: 180 minutos (dividido em duas partes para TV)
- País de Origem: França, Brasil, Canadá
- Idioma: Francês, Português
- Ano de Lançamento: 2012
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