segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Revolução de Avis

Por Jessé A. Chahad

   A Revolução de Avis aconteceu entre 1383 e 1385 em Portugal.  Após a morte de D.Fernando de Portugal, se coloca em prática o tratado de Salvaterras de Magos, que delegava a regência do trono a sua esposa D. Leonor Telles, a qual deveria casar sua filha, D.Beatriz, com o herdeiro de Castela, unindo assim os dois reinos a partir do nascimento de um filho homem. Assim sendo, inicia-se a crise de sucessão que resultou em profundas mudanças no reino.
    O povo, insatisfeito, condenava o romance proibido de D.Leonor com o Conde de Andeiro;esse fato fomentou uma série de contestações e tumultos, e a insatisfação se estendeu inclusive a certa parte da nobreza e de toda a chamada burguesia mercantil, que não aprovavam a união dos reinos. Essa insatisfação foi também partilhada pelo chefe da Casa de Avis. Em Dezembro de 1383, com o assassinato do Conde de Andeiro, o Mestre de Avis se dá o golpe que proclamaria este Regedor e Defensor de Portugal, encerrando assim a regência de D.Leonor Telles.

O período chamado de interregno é o período em que não há rei ou autoridade governativa no estado, foi o período de incursões de D.João de Castela, o legítimo Rei contra Portugal, e da resistência liderada pelo Mestre de Avis, que a partir de uma série de vitórias, foi fortificando o seu compromisso com o povo português, e ganhando apoio cada vez maior de parte da fidalguia que antes pretendia ao trono o filho de D.Pedro com Inês de Castro, e da burguesia formada por comerciantes, e profissionais liberais que almejavam maior participação política nas administrações locais. O Mestre da Avis, com apoio também dos populares, agora só precisaria de uma eleição nas cortes de Coimbra para assumir o trono português.

A alta nobreza apoiava um sucessor Castelano, pois temia a perda de seus privilégios com a quebra da dinastia e do tratado de Salvaterras e ainda apontava a possível eleição do filho de D.Pedro com Inês de Castro, o infante D.Diniz. A chamada baixa nobreza, abraçada à idéia de possível ascensão nobilitaria e aquisição de terras, defendia seus interesses apoiando o Mestre de Avis, em uma manobra estratégica, pois este já tinha o apoio das camadas populares e da burguesia mercantil que estava muito interessada em alcançar benefícios em forma de cargos políticos, ou leis que pudessem favorecer os seus negócios.Entrava em choque uma política de fixação, contra uma política de transportes.

João das Regras, jurista integrante da baixa nobreza, foi decisivo em seu discurso na corte, ilegitimando os outros possíveis herdeiros do trono, e após trinta dias de debates, o parlamento pressionado pelo povo e pelo herói de guerra, o condestável Nuno Álvares, elege por unanimidade o Mestre de Avis, iniciando assim uma nova dinastia.

Após sua subida ao trono, D.João I, ao lado do condestável Nuno Álvares ainda enfrentariam em uma ultima batalha o Rei de Castela, e a vitória na chamada Batalha de Aljubarrota, ficou marcada como uma das mais importantes na consolidação do que viria a ser um estado português.

    A revolução de Avis não pode ser classificada como estritamente popular ou burguesa, e sim como uma mescla de interesses de ambas comunidades com o apoio de uma baixa nobreza sedenta por privilégios, terras e títulos. A revolução pode ter fundamentado as bases de um sentimento patriótico, mas com a presença de três classes distintas, buscando seus interesses, e procurando legitima-los nas cortes.

    A burguesia foi quem mais se beneficiou com a revolução, pois agora participava dos conselhos municipais fazia parte do estado e procurava se equiparar aos nobres, política e juridicamente. A nobreza agora ameaçada tentava conter os avanços da burguesia no campo, fato que dirigiu os esforços da burguesia para seus avanços comerciais, que chegaria às navegações continentais em busca de mercados e produtos.

    A revolução tem como resultado a centralização do poder, pois sob o governo de D.João, o estado dominou o clero, fomentou ao povo ideias nacionalistas baseado em feitos bélicos e apoiou a burguesia mercantil, que chegaria ao seu auge com as empresas ultramarinas.

20 comentários:

Anônimo disse...

Fala Jessé!!!

Muito legal o artigo, sintetiza bem o q rolou na Revolução de Avis.....eu só gostaria de acrescentar um detalhe interessante, que reside no fato de que a velha disputa Portugal e Inglaterra x Espanha e França, que se estenderia por praticamente toda a Idade Moderna, inicia-se justamente no contexto da Revolução de Avis, mesma época em que Inglaterra e França engafinhavam-se na guerra dos cem anos......inclusive a esposa do Mestre de Avis era uma princesa inglesa muito popular em Portugal, a Filipa de Lancaster.....acredito q Espanha e Portugal não fizessem aqui o papel de periferia e bucha da canhão das duas potências, como já sabemos q rolou mais pra frente, até pela própria posição não muito confortável de Inglaterra e França no cenário geopolítico medieval do período....ao contrário, depois da Revolução de Avis, Portugal centralizou sua monarquia e pode lançar as bases da expansão marítima, q a transformaria numa das grandes potências do séc. XV (bem diferente das devastadas Inglaterra e França do período)....

Jessé Chahad disse...

Valeu por contextualizar, é sembre bom levar em conta todas as influencias políticas que representavam os casamentos da época.
A centralização que vc falou que iria fomentar as grandes navegações, levariam Portugal ao auge que jamais viria a alcançar novamente.

thaiza disse...

nossa vei q trem chato ccs e paia em

Anônimo disse...

Gostei deste "pequeno resumo"... Queria saber qual é a sua fonte pois tenho algumas curiosidades a tirar!

Posta aí que eu venho visitar!

Jessé Chahad disse...

As fontes são os historiadores portugueses, Vitorino de Magalhães Godinho entre outros.

Unknown disse...

Nossa comecei a ler e não cosegui parar.Sua narrativa é muito legal e adorei o resumo.

Anônimo disse...

Gostei muito do texto, ótimo trabalho. No entanto surgiu uma pequena duvida: a infanta D. Beatriz ,na realidade, não iria casar-se com o viúvo de Castela,D. João. Não entendi o nascimento do filho. Pode me ajudar?
Agradeço.

Jessé Chahad disse...

O filho era fruto de um relacionamento "não oficial", daí a má fama de D. Isabel.

Luciene disse...

Me fala sobre A América pré-colombiana. Sou Professora, não de historia, mas gostei muito de seu resumo.

Luciene Palmas-TO

Jessé Chahad disse...

Luciene, existe uma coleção organizada pela prof. Leslie Bethell, chamada "A Historia da America Latina".
Acredito que você encontrará tudo que precisa saber sobre o assunto, se não me engano são três volumes totalizando mais de duas mil páginas.

Anônimo disse...

tres interessant, merci

Anônimo disse...

A revolução de Alves aconteceu com Portugal e Espanha na época da União Ibérica?

Anônimo disse...

hahahaha.... a 'revolução de Alves e os esquilos'? rsrsrsrs...

Cláudia disse...

O Sr. pode me informar a principal relação entre a Revolução de Avis com o Humanismo?

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

Você detalhou demais, complicou minha cabeça.. não foi um bom resumo.

Unknown disse...

Estou lendo aqui Donos do Poder, Faoro, que inicia falando sobre a aproximação com a burguesia e enfraquecimento da alta nobreza e clero. Mas não entendi porque isso levou ao patrimonialismo, ou às centralização do poder. Essa perda de poder da nobreza, que perde espaço pra burguesia também não esteve presente na formação de outros estados nacionais como Françae Inglaterra, por q lá não se fala também em patrimonialismo e dominio estatal (monarquico) no comércio??

Maurício Saraiva disse...

Belo resumo! Por que a Igreja saiu enfraquecida? O Alto Clero português apoiou o rei de Castela? Esse conflito envolveu a disputa da época entre o papa de Avignon e o papa de Roma?

Jessé Chahad disse...

Durante a Revolução de Avis em Portugal (1383-1385), a situação envolvendo o apoio do Alto Clero ao rei de Castela, João I, ou ao Mestre de Avis, João (futuro João I de Portugal), foi complexa e variada.

O Papa de Avinhão na época era Clemente VII, enquanto o Papa de Roma era Urbano VI. O Grande Cisma do Ocidente, que ocorreu entre 1378 e 1417, dividiu a Igreja Católica entre esses dois papas rivais, criando um contexto de instabilidade e incerteza.

Em Portugal, o Alto Clero estava dividido nas suas lealdades. Alguns membros do Alto Clero português apoiaram o rei de Castela, que era casado com Beatriz, a pretendente ao trono português. No entanto, outros membros da Igreja apoiaram João, Mestre de Avis, que acabou por se tornar João I de Portugal após a Batalha de Aljubarrota em 1385.

A posição da Igreja em relação ao conflito não pode ser generalizada, pois havia variações nas lealdades individuais e regionais. A divisão na Igreja Católica devido ao Cisma do Ocidente também pode ter influenciado as alianças e as decisões tomadas pelo Alto Clero português.

A Batalha de Aljubarrota, em 1385, foi crucial para a afirmação de João I como rei de Portugal e a consolidação da Dinastia de Avis. A vitória nessa batalha influenciou as alianças políticas e as relações com a Igreja na consolidação do poder em Portugal.

Jessé Chahad disse...

A Revolução de Avis em Portugal no século XIV não está diretamente associada ao Humanismo, uma vez que o Humanismo como movimento cultural e intelectual floresceu principalmente durante o Renascimento, que teve seu auge nos séculos XV e XVI. A Revolução de Avis ocorreu entre 1383 e 1385, antes do início formal do Renascimento.

No entanto, pode-se identificar alguns elementos de transição entre o final da Idade Média e o início do Renascimento que, de certa forma, estão relacionados ao Humanismo. Um desses elementos é a ênfase crescente no estudo das humanidades clássicas, como a literatura, filosofia e história da Grécia e Roma antigas.

O Humanismo renascentista, que teve seu epicentro na Itália, promoveu a valorização do conhecimento clássico, a ênfase nas habilidades humanas e o interesse pelo estudo das ciências, artes e humanidades. Esse movimento cultural influenciou a educação, a literatura, a arte e a política da época.

Em Portugal, o reinado de João I, que foi estabelecido após a Revolução de Avis, pode ser considerado um período em que o país começou a se abrir para as influências renascentistas. Seu filho, o Infante Dom Henrique, desempenhou um papel crucial na promoção das explorações marítimas e no desenvolvimento do conhecimento científico e geográfico.

Assim, enquanto a Revolução de Avis em si não pode ser diretamente associada ao Humanismo, os séculos seguintes testemunharam um período em que Portugal, como muitas outras regiões europeias, começou a ser influenciado pelas ideias e valores humanistas que caracterizaram o Renascimento.