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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Funk que questiona história do Brasil é bem recebido por professores

Longe da linguagem da ostentação ilusória e da sexualidade exacerbada, comuns em algumas letras de funk no Brasil, uma música despontou recentemente como nova representante de um funk contestador. Não Foi Cabral, da carioca MC Carol, questiona as lições escolares sobre o descobrimento do país, atribuído ao navegador português Pedro Álvares Cabral.
Para Carol, o explorador não descobriu o Brasil porque, antes de sua chegada, "já tinha 4 milhões de índios aqui". O argumento vai ao encontro das teses de historiadores sobre o “achamento” do Brasil, uma terra já habitada, porém, desconhecida dos portugueses. Em uma mensagem sobre o lançamento da música, a cantora escreveu: "Há muita história que não nos ensinam na escola, invasão não é descoberta! #NãoFoiCabral".
– MC Carol ressignifica elementos ao dizer que descobrir não é o mesmo que invadir. A música fala também sobre a importância da resistência e aborda a violência contra negros, índios e mulheres – diz Alexandre Schiavoni, professor de História do Anglo Vestibulares.
Mais ritmo aos estudos
O professor aponta que, de certa maneira, o funk parece percorrer uma trajetória semelhante à de um estilo musical tipicamente brasileiro, orgulho e marca nacional: o samba, que originalmente também era visto como "menor" por vir de classes sociais mais baixas. Ao abordar temas como escravidão, exploração e até genocídio, Alexandre entende que a cantora traz uma discussão importante para o dia a dia – o que pode aumentar o interesse pela disciplina.
Para o professor de história do Unificado José Carlos Tamanquevis, os assuntos abordados na música podem ser cobrados no Enem e nos vestibulares, mas dificilmente tendo a letra como referência. Ele destaca que expressões culturais como essa têm lugar nas provas. Pensar e pesquisar sobre elas pode ser motivador.

— A letra, com bom humor e ironia, possibilita uma série de reflexões sobre a formação da nossa história e pode ser utilizados para debates, estudos e até questões em provas.

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