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sábado, 1 de setembro de 2012

No espelho da Guerra


Por Demétrio Magnoli

O preâmbulo da Carta da ONU, adotada em 26 de junho de 1945, começa assim: “Nós, os povos das Nações Unidas, determinados a libertar as gerações futuras do flagelo da guerra [...]” Essas célebres palavras ecoavam a justificativa de Franklin D. Roosevelt, o idealizador da ONU, para a entrada dos Estados Unidos na grande Guerra Mundial: “Mais do que o fim da guerra, nós queremos um fim para o 
início de todas as guerras [...].” 
Roosevelt era também um eco, de seu antecessor, Woodrow Wilson, e das esperanças que ele difundiu no tempo de  horrores da Primeira Guerra Mundial, a “guerra para acabar com todas as guerras” por meio da derrota dos agressores e da constituição de uma Liga das Nações. No entre-guerras, essas esperanças chegaram a tecer um tratado destinado a colocar a guerra fora da lei. A idéia original partiu de Aristide Briand, ministro do Exterior francês, que propôs um pacto bilateral banindo a guerra entre seu país e os Estados Unidos. Na sua réplica, o secretário de Estado  americano Frank Kellogg propôs um tratado 
multilateral de banimento completo da guerra. O Pacto Briand-Kellogg foi assinado em Paris, em 1928, e acabou abrangendo 62 países. O Pacto nunca impediu nenhuma guerra, mas continua a ter força de lei nos Estados Unidos e, no direito internacional, serviu como arcabouço para a noção de “crimes contra a paz”, sob a qual o Tribunal de Nuremberg sentenciou diversos “criminosos de guerra”. 
Banir a guerra! Embora não seja, é claro, uma idéia exclusivamente americana, nenhuma nação adotou-a com a persistência e a continuidade dos [pag. 09] Estados Unidos. Desde Thomas Jefferson (“Eu abomino a guerra e a vejo como o pior flagelo da humanidade”), o  terceiro presidente e o primeiro a enviar tropas ao 
exterior, para combater os corsários da costa berbere, os “terroristas” do seu tempo, um após o outro os presidentes americanos comprometeram-se solenemente com a reforma do mundo, para “acabar com todas as guerras”. 
A guerra, vista da relativa segurança proporcionada pelo insulamento geopolítico dos Estados Unidos, foi interpretada como uma aberração monstruosa, um desvio patológico nas relações internacionais. Sua  causa não poderia ser outra senão a imperfeição das instituições políticas no estrangeiro. Sua abolição definitiva 
exigiria nada menos que a  difusão do modelo histórico representado pela nação americana. “A melhor esperança para a paz no nosso mundo  é a expansão da liberdade em todo o mundo”, na síntese oferecida por George W. Bush, em janeiro de 2005, no discurso inaugural de seu segundo mandato. 
A visão moralista que orienta a política externa americana não pode ser explicada nos limites da razão geopolítica. A abominação da guerra e seu complemento paradoxal, o impulso da redenção do mundo pela  força das armas, deitam raízes no sentido de missão e predestinação dos radicais protestantes que 
sonharam difundir pela Europa a Commonwealth de Cromwell, no século  XVII, e mais tarde inspiraram os “pais fundadores” dos Estados Unidos. O dever moral dos revolucionários ingleses era espalhar as sementes da liberdade entre os povos oprimidos pela tirania das monarquias católicas. 
Esse tema atravessa, como o fio de uma espada, toda a história americana. Ele reverbera, como uma conclamação para a guerra, no segundo discurso inaugural de Bush: “O grande objetivo de suprimir a tirania é a obra concentrada de gerações. [...] 
Hoje, os Estados Unidos dirigem-se novamente a todos os povos do mundo. Todos os que vivem sob a tirania e em desesperança devem saber: os Estados Unidos não ignorarão sua opressão ou perdoarão seus  opressores. Quando se levantarem pela sua liberdade, nos levantaremos com vocês.” 
Banir a guerra? Os europeus nunca acreditaram que a liberdade, a justiça ou qualquer outro valor universal possa servir de norte para a política externa das nações. Eles sempre curvaram-se ao primado do interesse nacional. Na Conferência de Paris, em 1919, Wilson pregava a Liga  das Nações, mas os  líderes da Europa debruçavam-se sobre os mapas de fronteiras e os cálculos de indenizações. O “pacifista” Briand, ao contrário de Kellogg, não pretendia [pag. 10] colocar a guerra fora da lei, mas apenas banir a guerra entre seu país e os Estados Unidos, assegurando à França, na próxima guerra, o apoio da maior potência do mundo. 
Na tradição européia, a guerra não é um desvio patológico, e sim uma etapa do fluxo incessante das relações internacionais. Essa visão, realista e cínica, forjada na geografia das rivalidades dinásticas e das disputas por territórios, não exclui o horror diante do sofrimento. Mas ela opera na moldura filosófica construída por Maquiavel, que separa a moral política da moral comum. Guerra é história. Guerra é cultura. 
A prova direta disso encontra-se na extensa e variada literatura histórica e teórica sobre a guerra, cujo ponto de partida retrocede séculos antes da era cristã, até o mais antigo tratado militar de que se tem registro. A arte da guerra, atribuído a Sun Tzu e escrito possivelmente entre 320 e 400 a.C., aborda o surgimento da guerra verdadeira na China. 
A guerra na China antiga produzia-se  no interior de um envelope ritual, que moderava sua violência e fazia com que se extinguisse no final de uma única batalha pouco sangrenta.  Mas, desde cerca de 500 a.C., com o aparecimento de unidades políticas maiores, os Estados formaram exércitos permanentes e introduziram  a conscrição de camponeses. Uma casta de militares profissionais, a disciplina dos soldados e a seleção de tropas de elite assinalaram o início de um novo tempo. 
A teoria da guerra nasceu praticamente com a guerra verdadeira. No seu verso inicial, Sun Tzu constata: “A arte da guerra é de importância vital para o Estado. É a província da vida ou da morte; o caminho  à segurança ou à ruína. Portanto, é um objeto de investigação que não pode, sob nenhuma circunstância, ser 
negligenciado.” Eis o reconhecimento da guerra como componente intrínseco da política, ou seja, como fenômeno “normal” na vida das sociedades e dos Estados e, portanto, suscetível à análise racional. 
No sistema de Sun Tzu, o recurso às armas devia fazer parte de um programa mais amplo pelo qual o inimigo seria  politicamente atingido, antes de ser militarmente batido. Era mister, por meio  de agentes e espiões infiltrados, criar divergências entre o soberano inimigo e seus ministros, entre os chefes e os 
subordinados, entre a elite e a massa  dos súditos, instilando a subversão e provocando a desmoralização da autoridade. A guerra como continuação da política: a fórmula não é de Sun Tzu, mas bem poderia ser... 
Sun Tzu prescrevia que o emprego ótimo da força militar dependia de que se pudesse alcançar a vitória num lapso de tempo breve, com economia de recursos e vidas e sem infligir ao inimigo mais perdas humanas do que [pag. 11] o estritamente necessário. 
Essa é, em essência, a doutrina militar introduzida, uns 2.300 anos mais tarde, por Colin Powell nos Estados Unidos e empregada com sucesso na Guerra do Golfo de 1991. Uma doutrina que ficou soterrada sob o peso da razão ideológica dos democratas, durante a escalada militar no Vietnã, nos anos 60, e dos 
neoconservadores republicanos, no momento em que foi tomada a decisão de invadir 
e ocupar o Iraque, em 2003. 
Carl von Clausewitz (1780-1831) soldou seu nome à teoria da guerra de um modo tão indissolúvel que aparecem quase como sinônimos. Clausewitz ingressou no serviço militar aos 12 anos, serviu no exército prussiano nas campanhas do Reno, em 1793 e 1794, e já como oficial participou das Guerras Napoleônicas. Em 1818, tornou-se diretor da Escola de Guerra da Prússia. O célebre Da guerra, publicado 
pela primeira vez no ano seguinte à sua morte, é uma reflexão situada na transição entre um sistema de Estados que desaparecia e outro que surgia. As Guerras Napoleônicas assinalaram o desmoronamento do sistema internacional europeu emanado da Paz  da Westfália, em 1648. O Congresso de Viena, de 1815, na seqüência da derrota francesa em Waterloo, estabeleceu um novo sistema europeu, que perduraria até a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Na passagem de um sistema para o outro, a guerra conheceu uma mudança radical. 
Clausewitz decifrou o sentido da mudança e elaborou o paradigma da guerra contemporânea. 
A Paz da Westfália “fundou” o Estado moderno, ao afirmar o primado dos interesses seculares dos soberanos e afastar a noção de uma autoridade eclesiástica universal. O sistema que emanou do grande tratado europeu conheceu inúmeros conflitos militares mas nenhuma  guerra geral capaz de destruir seus fundamentos. 
Esses conflitos secundários, de alcance limitado, eram travados por tropas de mercenários. As forças em armas, pequenas porém dispendiosas, não mantinham laços especiais de lealdade para com os soberanos aos quais serviam, e interessavam-se sobretudo pela sua própria segurança. Os soberanos também evitavam guerras sangrentas, que exigiriam a reconstituição do exército. 
A guerra dessa época virtualmente excluía o choque direto das batalhas campais, resumindo-se a uma série de manobras coordenadas,  que se encerravam, como regra, pela capitulação honrosa do lado em desvantagem. Os altos oficiais dos diferentes exércitos formavam algo como uma comunidade de valores e etiquetas, que valorizava a técnica e a  “estética” dos movimentos e  [pag. 12]  das indumentárias das tropas. As paradas militares das ocasiões festivas derivam, em linha direta, do treinamento das forças em armas desse período galante e incruento. 
Como a China antiga, a Europa setecentista praticamente não conheceu a “guerra verdadeira”. 
A Revolução Francesa encerrou esse período. A França revolucionária constituiu um “exérito de cidadãos” baseado nos laços de lealdade à pátria e na liga, ainda mais profunda, da camaradagem entre os homens em armas. Nas palavras de Clausewitz: “A guerra tornou-se subitamente de novo uma questão do povo e de 
um povo de 30 milhões de habitantes que se consideravam todos como cidadãos do Estado”.

 O Grande Exército de Napoleão Bonaparte herdou esse elã, preenchendo-o com novos significados políticos. Ele se tornaria o modelo dos exércitos contemporâneos, que lutam em nome da nação, vertem o sangue do último soldado e abominam a capitulação. 
A “arte da guerra” de Clausewitz é o fruto do renascimento da “guerra verdadeira” na Europa. Seu sistema enxerga a guerra como um fenômeno total, político e militar, amparado na mobilização de todos os recursos nacionais. O choque direto, a batalha campal e a aniquilação física do inimigo são os paradigmas 
da guerra contemporânea. Isso não significa, porém, que a guerra possa reduzir-se a uma súbita explosão de violência ofensiva. Justamente por envolver vastos recursos econômicos, humanos e militares, a guerra é um jogo constituído por sucessões de batalhas, em tempos e teatros diferentes. Sua estratégia requer a utilização da ofensiva, da defensiva e da contra-ofensiva. A balança dos chefes militares pesa 
probabilidades e calcula o ritmo e a intensidade do dispêndio de recursos. A eventual aniquilação do inimigo é o ato final de um empreendimento complexo, inscrito na esfera da política. 
A obra de Clausewitz, um monumento de uma época na qual se consagrava a crença iluminista na civilização, na ciência e na filosofia, desenhou os paradigmas usados pelos estadistas e pelos chefes militares para pensar a guerra. Ela se tornou uma referência perene e jamais foi verdadeiramente contestada no seu próprio terreno. 
Mas as grandes guerras do século XX, conduzidas por colossais máquinas de matar, provocaram ruína, destruição e sofrimento indizíveis. No plano da técnica e da arte militar, essas catástrofes humanas certamente inscrevem-se no quadro teórico clausewitziano. Contudo, elas geraram indagações e angústias extremadas, que explodiram os alicerces filosóficos da teoria da guerra. No fim, deslocaram o debate 
para uma esfera mais abrangente que a [pag. 13] da política. Sobre os intermináveis tapetes de cadáveres tecidos pelas confrontações militares do último século, a guerra surge como um fenômeno inscrito na esfera da cultura. 
As obras recentes de John Keegan e Victor Davis Hanson  não oferecem respostas diferentes às perguntas que  motivaram Clausewitz, mas deslocam as próprias perguntas e sugerem nova topologia para o debate. O argumento de Keegan é que a guerra é muito mais que a “continuação da política por outros meios”. O historiador militar britânico sustenta que a guerra de  Clausewitz é unicamente a guerra instaurada e definida pelo Estado-Nação, ou seja, a  guerra moderna e contemporânea, e assim mesmo amputada  dos componentes “bárbaros” que estão presentes nos interstícios de todas as guerras. 
O combate armado irregular, avesso à disciplina e à regra, perpassa os séculos e faz parte da história dos mais diferentes povos. Ele não  se extinguiu com a inauguração da “guerra civilizada”, mas acoplou-se  a ela e subordinou-se às necessidades dos comandos militares. No Afeganistão, em 2001 e 2002, as forças 
americanas compraram os serviços dos senhores da guerra locais e coordenaram as operações de alta tecnologia, conduzidas pela força aérea ou por comandos de forças especiais, com as ofensivas de campo de milicianos autóctones. O saque, a pilhagem, o estupro, o vandalismo, todos esses atos que causam espanto e desprezo quando cometidos por exércitos regulares,  formam uma dimensão permanente da 
guerra mas não são contemplados pela teoria da guerra. 
Sob o ponto de vista de Keegan, Clausewitz “estava batalhando para formular uma teoria universal do que a guerra deveria ser, em vez de tratar do que a guerra realmente era e fora”.

 Mas, então, o que de fato a  guerra era e é? A guerra, na resposta de Keegan, “é sempre uma expressão de cultura, com freqüência um determinante de formas culturais e, em algumas sociedades, é a própria cultura”.
 A guerra é um fenômeno total, uma expressão condensada das formas de pensar, produzir e consumir das sociedades, o espelho de um tempo e um lugar. 
O subtítulo da obra de Hanson é: “Massacre e cultura — da Grécia antiga ao Vietnã”. Nela, define-se uma “tradição cultural ocidental” que é, também, um modo ocidental de fazer a guerra. Do estudo de batalhas cruciais, desde Salamina, em 480 a.C., até a Ofensiva do Tet, em 1968, emerge o estilo de combater e matar que singulariza os “exércitos de cidadãos” articulados em torno das noções de liberdade pessoal e de iniciativa individual. O argumento básico, que é reiterado a cada capítulo, como a [pag. 14] persistente demonstração de uma tese, é que as “nações em armas” constituídas por cidadãos livres bateram seus inimigos devido à superioridade intrínseca de suas idéias e organização social. 
Hanson certamente valoriza as técnicas e as tecnologias militares “ocidentais”, mas as encara como um fruto das idéias “ocidentais”. Sua perspectiva é cultural num sentido clara e diretamente político. As vitórias do Ocidente não decorreram “de uma inteligência superior inata, de uma moralidade cristã ou de qualquer noção de excepcionalidade religiosa ou genética”, mas de paradigmas superiores: liberdade, individualismo, militarismo cívico. Esses paradigmas produziram um poder militar inigualável, que abrange as mais eficientes tecnologias de matar mas não se circunscreve a elas. O Ocidente venceu, pois suas forças em armas emanaram de estruturas culturais peculiares e seus soldados lutavam em  nome de comunidades 
políticas capazes de mobilizar todos os seus recursos, toda a sua iniciativa e toda a 
sua imaginação na tarefa de destruir o inimigo. 
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A guerra, como fenômeno total, é o tema desta obra. Ela não é, com certeza, uma história completa das guerras.  Aqui, são abordadas quinze guerras que mudaram a história, ou seja, que produziram repercussões duradouras sobre a organização política, econômica e social dos povos e das nações. Essas confrontações militares moldaram a Antigüidade clássica, desenharam os contornos das civilizações na Idade Média, instauraram os sistemas de Estados moderno e contemporâneo, definiram os grandes equilíbrios geopolíticos do século XX. 
A história das guerras é uma história  de alteridades. Cada guerra é um fenômeno único, singular, irredutível. Os gregos guerreavam em nome da virtude, os “bárbaros” germânicos e os cavaleiros das estepes asiáticas, em nome do saque. Os cruzados lutaram na Terra Santa por Deus e pela Igreja. Os franceses e protestantes 
alemães combateram o império Habsburgo portando o estandarte da soberania secular. Napoleão Bonaparte marchou sob a bandeira do império. A glória nacional animou o exército prussiano de Bismarck; o “Reich de mil anos”, a Wehrmacht de Hitler. Os vietnamitas enfrentaram a França e os Estados Unidos para conseguir a independência e a soberania. Árabes e israelenses bateram-se por fragmentos de 
território. [pag. 15]
Mas as guerras dialogam, umas com as outras. Tucídides, o célebre historiador da Guerra do Peloponeso, descreveu o conflito entre Atenas e Esparta como o embate da Baleia (a potência marítima) contra o Urso (a potência continental). Sua narrativa inspirou o pensamento geopolítico, oferecendo um modelo analítico. A metáfora da Baleia e do Urso ressurgiu nas Guerras Napoleônicas, aplicada à confrontação entre a Inglaterra e a França, e novamente na  Guerra Fria, como descrição da rivalidade bipolar entre os  Estados Unidos e a União Soviética. A Batalha de Cannae, em que o cartaginês Aníbal impôs a maior derrota aos romanos, em 216 a.C., sobreviveu à erosão do tempo e, como um quadro pintado com tinta indelével, inspirou o Plano Schlieffen, aplicado pela Alemanha na Primeira Guerra Mundial, e a ofensiva terrestre conduzida pelos Estados Unidos na Guerra do Golfo de 1991. 
A história das guerras é uma história das técnicas. Os hábeis flecheiros de Gêngis Khan são contemporâneos dos exímios arqueiros turcos, com seu fogo grego. 
Mais de dois milênios separam o trirreme ateniense do couraçado e do submarino, introduzidos na Guerra de Secessão. Quase um milênio separa as catapultas medievais dos canhões de aço,  de alma raiada, e dos fuzis de carregamento pela culatra que aposentaram as cargas de cavalaria nos ensaios oitocentistas de “guerra industrial”. Mas a história das guerras é, sobretudo, a história do gênio humano aplicado à 
destruição. As “hordas” de cavaleiros  das estepes formavam unidades militares organizadas sob rígido sistema de comando decimal e comunicavam-se por meio de bandeiras e fogos. Helmut von Moltke redefiniu o significado do teatro de batalha e as funções da artilharia, da  infantaria e da cavalaria ao incorporar a ferrovia e o telégrafo na máquina de guerra prussiana. As penosas operações militares em torno 
da fortaleza de Humaitá, no rio Paraguai, entre 1866 e 1868, evidenciam as dificuldades da transição tecnológica e doutrinária entre a guerra tradicional e a “guerra industrial”. A batalha de Dien Bien Phu, que selou a derrota francesa na Indochina, em 1954, é uma lição inesquecível sobre o valor do terreno, do relevo e do clima na arte de esculpir o teatro de combate. No Vietnã, no Afeganistão e no Iraque, os americanos empregaram as tecnologias da informação para empurrar até o limite a coordenação entre as forças de terra, ar e mar e entre as forças blindadas convencionais e as unidades de comandos infiltradas atrás das linhas inimigas. 
“A guerra é o pai de todas as coisas.” A proposição, de Heráclito, antecede a Guerra do Peloponeso. É apenas realista reconhecer que não somos muito diferentes dos gregos de 25 séculos atrás. [pag. 16]
NOTAS 
(1)  Carl von Clausewitz, Da guerra, São Paulo, Martins Fontes, 1996, p. 847. 
(2) John Keegan, Uma história da guerra, São Paulo, Companhia das Letras, 1996. 
(3) Victor Davis Hanson, Por que o Ocidente venceu, Rio de Janeiro, Ediouro, 2002. 
(4) John Keegan, op. cit., p. 22. 
(5) John Keegan, op. cit., p. 28. 
(6) Victor Davis Hanson, op. cit., p. 626. 
BIBLIOGRAFIA 
CLAUSEVITZ, C. V. Da guerra. São Paulo: Martins Fontes, 1996.  
HANSON, V. D. Porque o Ocidente venceu. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.  
KEEGAN, J. Uma história da guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. [pag. 17]

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