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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Câmara Municipal de Aguaí terá sua história contada.





A escrita da memória em forma de publicações evoca um fenômeno muito debatido pela historiografia atual[1]. Sabemos que é necessária a conservação de nossa história para que possamos conferir uma identidade cultural e histórica à nossa sociedade, porém tabém sabemos das dificuldades existentes em se obter fontes documentais que estejam organizadas de maneira adequada para que seja objeto de pesquisa. As publicações acabam sendo objeto de materialização da memória local e cultural de um sociedade, se transformando em documentação de caráter oficial que possa servir a pesquisas em diversas áreas do conhecimento humano.


É notório que nas últimas duas décadas o Brasil vêm intensificando o investimento em resgate e valorização da memória de suas instituições. Apesar de esse fato ser interpretado por alguns como tentativa de reconstrução do passado, a verdade é que a conservação da memória, assim como do patrimônio local é um incentivo a valorização desses ideias. A valorização desse passado leva a um incremento em auto-estima e orgulho do cidadão[2], ajudando inclusive no desenvolviento de sua cidadania e de sua participação na sociedade.


Dentro do esforço citado acima, a História Legislativa tambêm sendo valorizada a partir de ações do Estado, como por exemplo feito em junho de 1998 quando foi publicado o Ato da Mesa nº 95 que criou o Museu da Câmara dos Deputados integrando-o à estrutura administrativa do Serviço Técnico Auxiliar (futura Coordenação de Preservação de Bens Culturais), do Centro de Documentação e Informação. O artigo primeiro da norma determina que o objetivo da nova unidade administrativa é o de expor peças e/ou documentos do patrimônio da Casa ou de interesse fundamental na reconstituição da história da Instituição.Um importante acervo da História Legislativa no Brasil.


Outro exemplo a cer citado é o Acervo Histórico da Assembléia Legislativa de São Paulo, onde o acervo físico contém a série completa dos “Anais da Assembleia Legislativa Provincial de São Paulo” (de 1835 e 1947), os 25 mil volumes de obras da Biblioteca do Acervo, o banco de fotografias, com mais de 150 mil imagens, desde a década de 1950, e outros conjuntos, como os documentos da Comissão da Medalha dos Revolucionários de 1932, as primeiras 1000 horas de fitas de som, capturadas em meio digital, com o registro dos trabalhos de Plenário dos anos de 1963 e 1964. e o banco de dados biográficos dos deputados do Império, República Velha e Anos 1930, com mais de 1000 parlamentares.


Parte desse acervo está já na internet, onde podem ser consultadas as relações dos deputados eleitos, dos membros das comissões legislativas e dos integrantes da Mesa Diretora de cada legislatura, desde a instalação do Conselho de Província de São Paulo (1828) até o fechamento da Assembléia Legislativa de São Paulo (1937).


A História por muitas vezes é utilizada para dar autenticidade a argumentos e ainda com o carater de oficialidade, muitos dela se aproveitam para referendar práticas sociais excludentes que fazem parte das contradições do sistema, fazendo ação assim com que ela ocupe um local nefasto na construção do saber, da memória e também da educação de um povo em formação.


A escassa produção literária e bibliográfica de nossa cidade é parte integrante de um circulo vicioso iniciado a muitas gerações atrás porém presente até os dias de hoje em diversos locais de nosso país. Se é fato que a leitura não é um hábito da maioria de nossos cidadãos, não é papel dos responsãveis em cargos públicos de qualquer origem concordar com essa nefasta afirmativa que prerroga um Brasil atrasado e ignorante que muitos tem interesse em eternizar.


Quebrando essa lógica do arcaísmo como projeto[3], acreditamos que com o incentivo a pesquisa, e a publicações de livros que falem sobre nossa sociedade, estaremos assim não só buscando as origens históricas de nosso povo, mas também incentivando a leitura e ainda mais, incentivando a produção local de livros.


O estudo da História de uma região em específico serve também para estabelecer parâmetros de comparação tanto com a História de outras regiões, como com a Históra do próprio país, dentro de suas peculiaridades[4].Várias cidades da região, como Mogi Guaçu, Jagariuna, São João da Boa Vista têm publicações semelhantes a requerida por esse projeto já em circulação, a ser citado apenas como mais um exemplo que certamente Aguaí não pode deixar de participar.


A publicação como um registro da História Legislativa de Aguaí serve como documento de pesquisa as futuras gerações e ao mesmo tempo presta homenagem àqueles que uma vez tiveram a responsabilidade de fazer parte da Câmara Municipal de Aguaí. Ao realizar esse projeto, a Câmara Municipal estrá prestando um serviço a sociedade tendo coragem de estudar e registrar o seu passado, e transformando isso em uma publicação que irá ela própria ser parte da história do município e exemplo para futuras admnistrações na questão da conservação da memória e cultura local.








[1] O fenômeno de conservação da memória em LE GOFF, Jacques. História e Memória. São Paulo: Editora da Unicamp,1994.


[2] HOBSBAWN, Eric e RANGER, Terence. A Invenção das Tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.



[3] FRAGOSO, João; FLORENTINO, Manolo: O Arcaísmo como Projeto:mercado atlântico, sociedade agrária e elite mercantil em uma sociedade colonial tardia: Rio de Janeiro, c. 1790 - c. 1840 – Rio de Janeiro: CivilizaçãoBrasileira, 2001



[4] CAPRINI, Aldieri Braz. Considerações sobre História Regional.UFES, 2002.