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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Materialismo dialético: Ciência ou exercício mental?



Por Jessé A. Chahad


A alma do Marxismo
Stalin declarou que “a dialética é a alma do Marxismo” e que a ela se deve a conquista de “fortalezas inexpugnáveis”. Na Russia, a dialética desceu da altura do Olimpo acadêmico para a literatura barata dos jornais.
Se algo dá errado, se as fábricas rendem pouco, se os tratores não funcionam, os russos procuravam explicação no método dialético. Se os comunismo se desviou do caminho, se recorre à dialética para provar que foram débeis.
A dialética pode demonstrar que o materialismo não é metafísico, senão cientifico ...que não exprime um estado anterior do pensamento, mas uma pratica cientifica moderna.
Referindo-se a isso, Trotsky disse em um folheto intitulado “Mendeleiev e o marxismo” que “por seu método e por seus resultados, Mendeleiev foi no campo da ciência natural especialmente na química, nada mais do que um materialista dialético.” Deborin declara que a metodologia da ciência natural contemporânea é uma inconsciente aplicação da dialética.
Esta identificação da dialética com a metodologia cientifica é a tendência moderna para interpretar a realidade, não como algo estático , mas como uma coisa crescente em evolução.”A dialética considera o mundo não como uma soma de fatos, mas como uma totalidade de processos”, disse Mitin.
Isso significa que antes de tudo, o evolucionismo aplicado a realidade social ou física. Não obstante, esse evolucionismo não deve ser interpretado como simples mudanças de estados, de uma maneira uniforme , através de imperceptíveis aumentos quantitativos, mas como um processo acumulativo que se caracteriza por saltos repentinos, repentinas mudanças qualitativas.
Contanto, a teoria da evolução qualitativa ou sintética, pode servir de base a uma ideologia revolucionária, não devemos esquecer que a idéia da evolução criativa e acumulativa serviu de apoio para a metafísica espiritual de Bergson. A polarização da teoria recebeu forte impulso com a publicação de um manuscrito de Engels chamado “ Naturdialektik” em 1925. Nesta obra, a dialética está definida como a “ciencia das leis gerais do movimento”



O Mecanismo de Engels
Assim como os pensadores de sua época, Engels acreditava que os fundamentos da explicação sobre que se baseiam as ciências físicas são devidos às mecânicas, ou derivam dos movimentos e configurações especiais dos corpos molares. “A mecânica é a ciência fundamental da física e da química já que nessas ciências as moléculas e os átomos se consideram massas, com o propósito de calculo.”Como todos os mecânicos, Engels procurou a explicação das ciências superiores nas inferiores. Apesar de ter pretendido tratar as ciências naturais como ciências históricas, o tempo e a evolução constituem escassamente as características especificas de seu “Natur-Philosophie”.
Quando fala da universalidade do movimento, ou da transição de qualidade e quantidade, não pensa tanto na evolução temporal, como na interconexão de varias partes da natureza.
“Toda natureza acessível forma um sistema de corpos, e por corpos, entendemos as existências materiais, começando pelas estrelas e terminando pelos átomos. E são corpos também as partículas do ether, já que o consideramos real. Na conversão de uma forma de energia a outra, Engels via não só os elementos, mas também a idéia da unidade fundamental que se ocultava sob a aparente multiplicação dos fenômenos.”O movimento molar mecânico se transforma em calor, eletricidade, magnetismo. Este ultimo dá começo a uma decomposição química. A decomposição provoca o calor e a eletricidade , através desta ultima chega ao magnetismo. Finalmente, o calor e o magnetismo produzem o movimento mecânico.

A dialética de Marx

Em primeiro lugar, o método utilizado por Marx é sintético. Do mesmo modo que Hegel, Marx edifica sua lógica, ou melhor, sua metafísica de um modelo hierárquico, começando pelas categorias mais abstratas para concluir em um organismo cujas partes se relacionam intimamente. Na crença de que toda evolução é uma evolução em si, Marx se contradiz com a força compulsora da historia. “Sem oposição não há progresso”. Esta é uma lei segundo a qual a evolução pode chegar a tanto. A construção de “O Capital” , o revela de maneira inequívoca. E Lenin também nas seguintes palavras: “Marx começa pela analise das mais simples, das mais comuns das relações sociais burguesas, isto é, do intercambio das produções”.
A análise descobre nesse simples fenômeno todos os germens das contradições da sociedade contemporânea.

A unidade da lógica e da História
Esta unidade pode ser interpretada em dois sentidos. Por uma parte a lógica depende da história , e por outra, o contrario. O primeiro sentido traria racionalidade e necessidade a historia; o segundo dotaria de lógica e conseqüência o contingente histórico. Ambos os sentidos são encontrados em Marx, que foi empirista e racionalista. Como empirista não estava disposto a identificar a ordem da natureza com a da ciência. Como racionalista admitia a relação do monismo com a realidade.
“Comecei pela forma social mais simples do trabalho na sociedade contemporânea, isto é, pela noção da produção”, assim ele escreveu em uma revista de Wagner. As complicações do método sintético são ali manifestadas. Denotam que a economia como sistema e como realidade social não é um mosaico cujo fragmento possa ser tomado para uma análise. Um exame da obra de Marx como historiador mostra quão forte foi nele a tendência racionalista e quanto profunda intenção de fazer lógica da história.



Como muitos dos seus contemporâneos, Marx andava impressionado com a idéia hegeliana de que a historia não é uma coisa sem razão, inconseqüente. De acordo com Hegel, pensava que toda evolução é imanente, consequentemente necessária e que todos os acontecimentos se sucedem. Marx acaba sendo um severo critico da obra de Hegel, no sentido de que este queria “encher o pensamento abstrato com um conteúdo concreto” , e por sua intenção de “construir o universo valendo-se somente do movimento da idéia”.
Mas o fato é que não se pode negar que os elementos hegelianos aqui mencionados façam parte integrante da obra de Marx, do mesmo modo que os dados estatísticos e os estudos concretos sobre as condições econômicas da Europa. É verdade que Marx continuou unido a Hegel até mesmo depois que esse começou a ser tratado como “cachorro morto” pelo meio acadêmico, aliás, Marx podia ter baseado a sua lealdade sobre outros motivos. Não foi a lógica do conteúdo de Hegel que serviu de pedra angular ao seu edifício? Mais uma das lições da lógica do conteúdo nos ensina que a matéria principal não possui afinidade interior com o método por ele revelado.
Texto adaptado de Jerome Rosenthal, Outubro de 1937

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