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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cidade de Aguaí trabalha para ter Museu de História


Acompanhado da Secretaria de Cultura e Turismo, Flavia Mamede, o prefeito Dr. Gutemberg visitou as novas instalações da Casa Da Cultura, para acompanhar de perto o projeto de catalogação que visa a formação do museu em nossa cidade.
A Prefeitura de Aguaí através da Secretaría de Cultura e Turismo deu o primeiro passo para a futura fundação de um museu na cidade. A idéia é resgatar a história do município e relacioná-la com eventos de importância estadual e nacional, valorizando o passado de nossa cidade.

De acordo com a Secretaria de Cultura Flavia Mamede, o processo se iniciou no mês de Março com a contratação do historiador Jessé A. Chahad que começou o trabalho de recepção de peças para a constituição de um acervo museológico, que está sendo documentado e catalogado de acordo com as normas do recém criado IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) que determina que cada município deverá ter um museu que atue tanto na área cultural quanto na área pedagógica educacional.
Dentre as peças de maior valor histórico, podemos citar artigos da Revolução Constitucionalista de 1932, como um capacete usado em batalhas e um documento emitido pelo Governo Estadual certificando a participação da Sra. Esther Braga(filha de Major Braga, fundador da cidade) como colaboradora do evento.

Há também uma coleção do extinto jornal Diário Nacional, que narra todos os eventos da Revolução. Destacam-se também coleções de discos com músicas do folclore de todo o território nacional e um acervo de numismática (moedas e cédulas) de mais de mil peças.
Existem fotografias antigas de nossa cidade, documentos e mapas da antiga Cascavel, que após a catalogação devem passar por uma equipe de restauradores para que posteriormente sejam acondicionadas de maneira adequada, aguardando o local apropriado para a fundação do museu.
O acervo já conta com mais de duas mil peças e deve receber mais doações a partir do momento em que for escolhido o local de construção do museu, um trabalho lento porém necessário para incrementar a cultura e a educação de nossa cidade.
Dr. Gutemberg destacou a importância do resgate da historia de nosso município para as futuras gerações.
Publicado no jornal O Imparcial 28/05/2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Turismo, Identidade, Cultura e Sociedade

Por Evelyn Ariane Lauro



Segundo Olga Paiva (1999, p.9), identidade é:
Tudo aquilo que pode identificar ou diferenciar um homem, uma mulher, um grupo social, étnico, religioso, etc. em relação a outro. O termo identidade é relacionado à cultura, pois também revela as ações do homem para viver em sociedade ao longo da história.
Ou seja, grosso modo, é o que nos assemelha de nosso próprio grupo e nos diferencia dos demais.
Segundo Rosana Bignami (2002, p.46), a identidade individual é criada por meios externos (à família, ao grupo social, ao grupo étnico, à região, ao país ao qual pertence, etc.), por meio da assimilação cultural e acúmulo de conhecimento ao longo da vida, e que esta, ou parte dela, é comum ao círculo social em que se vive, já que esta se sustenta no mesmo território, história, cultura e patrimônio produzido, fazendo com que ela seja assumida pela coletividade e atribuída à localidade onde estão inseridos (a exemplo das identidades nacionais), mas que “também aparece como referência do homem a pertencer a determinados grupos pela execução de papéis, mediante os quais se relaciona. Assim a identidade é uma construção também do próprio homem, portanto pode ser mudada” (idem).
Mudanças na estrutura, principalmente política e econômica, de uma localidade podem gerar alterações nos papéis de atuação de números significativos de indivíduos, alterando a identidade pessoal que também será atribuída à coletividade e, conseqüentemente, à localidade.
Cultura, identidade e sociedade são termos indissociáveis. Quando falamos da identidade de uma localidade nos referimos, não ao espaço geográfico em si, mas às relações sociais que acontecem ali, a atribuímos à uma sociedade e não a um pedaço de chão, afinal, os três termos que abriram o parágrafo são conseqüências das ações humanas.
Todo grupo, para que assim seja chamado, precisa de uma cultura (de características culturais) que o sustente, que assemelhe seus indivíduos e crie uma unidade, uma comunidade com identidade.
Clerton Martins levanta a necessidade de alguns elementos cruciais para que um grupo se mantenha e se faça existir através dos tempos. São eles:
• Território: “Os grupos configuram sua existência através da ocupação de um lugar, de um campo espacial próprio. Ali marcam-se regras, normas de comportamento [...] ritos, etc.” (2003, p.44);
• História: “Faz remissão ‘ao que fomos’ para chegar ao que somos’” (2003, p.44);
• Patrimônio: “Em seu sentido amplo [materializa] as tradições, os costumes, os modos de ser e de viver” (2003, p.45).
Cultura e identidade e, conseqüentemente, a própria sociedade são mutáveis, estão em constante dinâmica, não é possível, portanto, criar um padrão cultural e/ou identitário para uma localidade ou mesmo para um indivíduo esperando que se torne referência deste por muito tempo.
Nos dias atuais tudo acontece muito rápido, descobertas, avanços e muitas informações bombardeiam as sociedades e a cada dia gera mudanças de pensamento e comportamento.
Uma vez os antropólogos concordariam que a sociedade (e, por conseguinte também a cultura) muda em resposta ao ambiente e à tecnologia, a implicação clara desta transmissão de conhecimento e comportamento entre e as gerações é que a cultura é dinâmica (BURNS, 2002, p.77).
Burns (2002, p.78), levanta a importância das atividades econômicas na formação das identidades locais, já que as comunidades se movem em torno daquilo que movimenta sua economia, adequando sua vida a ela (hábitos, horários, atividades de lazer, etc.), a autora ainda ressalta que em muitos casos a localidade passa a ser reconhecida por aquilo que produz, a exemplo do Estado de São Paulo que entre os séculos XIX e XX era conhecido como “a terra do café” e, diz ainda que a própria cultura pode ser vista como recurso econômico, comercial (2002, p.78) e que em algumas localidades é a única saída diante da estagnação.
Começa-se então a discussão sobre localidades que baseiam suas economias na atividade turística e o uso do legado cultural para fins comerciais, nos cabe, aqui, apresentar possíveis impactos da atividade turística na identidade das localidades. Claro que, de maneira genérica, afinal as transformações inerentes à atividade geram resultados distintos a cada sociedade na qual se faz presente.
É sabido que as modificações são naturais dos processos sociais e que as cidades e sociedades mudam o tempo todo, tendo movimentação turística ou não, logo o turismo não é a causa, mas pode ser, em algumas situações, o meio para que aconteçam.
O turista sai de sua localidade de residência em busca de viver novas experiências, busca, no geral, conhecer o novo e compara a realidade que encontra com aquela que norteia o seu dia-a-dia o tempo todo. Isto faz com que a busca pela oferta de produtos e serviços diferenciados torne-se uma necessidade crucial para a sobrevivência das localidades sustentadas pelo turismo (OLIVEIRA, 2002, p.43). Se o que difere uma sociedade e outra é sua cultura e sua identidade (além claro, das questões geográfica, que no turismo de massa é o grande motivador de deslocamentos), nada mais natural que se utilizar do legado cultural, muitas vezes esquecido pela população e pelas administrações regionais, para diferenciar o produto turístico.
Para oferecer o legado cultural ao turista é preciso antes prepará-lo, em alguns casos o patrimônio edificado é restaurado (quando necessário e quando há possibilidade financeira) ou reformado e somente depois surgem os interesses turísticos. Em outros casos, as ações de recuperação acontecem mediante a tal interesse. No entanto, só preparar edificações não é suficiente, é preciso contextualizá-las, levantar a maior quantidade de dados para que se possa transformá-los em informações para o visitante. Levando em conta a demanda de turistas especializados, aqueles que buscam novas experiências, o que não se aplica ao turismo de massa, caracterizado pelo grande potencial de depredação.
Diante das facilidades, agilidade quanto ao acesso à informação, o turista se tornou e a cada dia se torna mais exigente (OLIVEIRA, 2002, p.43) e informações factuais e descontextualizadas não agradam mais. Mais do que datas e estilos arquitetônicos, os visitantes querem saber a importância daquele elemento no cenário histórico-social, que relação estabelece com os acontecimentos locais, quais eram as relações sociais que aconteciam ali, quais funções exerceu, enfim, a história social se torna mais importante que as características físicas, embora estas naturalmente sejam quesitos de primeiro impacto.
É justamente aí que entram os problemas. Na tentativa de chamar atenção ao patrimônio cultural muitas localidades passam a atribuir maior importância aos grandes feitos históricos em detrimento daquela que Margatita Barreto (2000, p.11) chama de “petite histore” ou história social (das minorias) e acaba supervalorizando alguns elementos para torná-los mais atrativos, justificando, assim, as críticas de alguns autores, como Lucrécia D’Alessio Ferrara , que dizem que:
A indústria do turismo transforma tudo o que toca em artificial, cria um mundo fictício e mistificado de lazer, ilusório, onde o espaço se transforma em cenário para o ‘espetáculo’ [...] o real é metamorfoseado, transfigurado, para seduzir e fascinar (FERRARA, 2002, p.26).
No entanto, se alguns impactos negativos são inevitáveis mesmo que o planejamento prévio fundamentado na sustentabilidade aconteça, impactos positivos são, na mesma medida, esperados. Não há, por exemplo, como recuperar o patrimônio edificado sem reconstruir na memória coletiva seu papel naquela sociedade e, assim trazer à tona muitos outros elementos tradicionais da história local.
A recuperação da memória coletiva, mesmo que seja para reproduzir a cultura local para os turistas, leva, numa etapa posterior, inexoravelmente à recuperação da cor local e, num ciclo de realimentação, a uma procura por recuperar a cada vez mais esse passado. (BARRETO, 2000, p.47)
Para Le Goff (apud BARRETO, 2000, p.43), a memória é um elemento crucial na formação e firmação da identidade e a busca pela identidade é uma das atividades dos indivíduos das sociedades modernas que diante da globalização e da padronização conseqüente, perderam seus referenciais étnicos, sem os quais não é possível imaginar-se ou ver-se como ser social, pois para tanto, é preciso pertencer, como dissemos ao início deste capítulo, a uma unidade, a uma comunidade sustentada por uma raiz cultural.
A memória não recupera identidades passadas, mas junto com o legado cultural estabelece ligação com o passado, fazendo com que haja continuidade histórica necessária para justificar as mudanças de identidades.
Paradoxalmente, o turismo, que visto como indústria moderna é conseqüência da globalização (OLIVEIRA, 2000, p.46), por muitos é considerado como responsável pela descaracterização cultural de certas localidades, o que não deixa de ser verdade, mas é, também, um forte aliado na recuperação da memória cultural, valorização do patrimônio, criação e firmação de identidades além de toda a sua influência econômica. A grande questão é: O turismo é uma prática social, parte da cultura moderna, embora seus fundamentos sejam inerentes a história da humanidade, o que faz então, com que a atividade seja por inúmeras vezes vilã e outras tantas agente valorizadora quando se trata de patrimônio?
Não trago aqui a resposta, mas, para pautar a discussão, tomemos como base, três princípios: Políticas públicas, mobilização social e consciência empresarial.




REFERÊNCIAS
BARRETO, Margarita. Turismo e Legado Cultural. São Paulo: Papirus, 2000
BIGNAMI, Rosana. A Imagem do Brasil no Turismo: Construção, Desafios e Vantagem Competitiva. São Paulo: Aleph, 2002. 9p-30p
BURNS, Peter M. Turismo e Antropologia: Uma Introdução. São Paulo: Chronos, 2002. 73p-160p
CARLOS, A. F. A; CRUZ, R.C; YÁZIGI, E. (Org). Turismo: Paisagem e Cultura. 3. ed. São Paulo: Hucitec, 2002.
MARTINS, Clerton (Org.). Turismo, Cultura e Identidade. São Paulo: Roca, 2003.
OLIVEIRA, Antônio Pereira. Turismo e Desenvolvimento: Planejamento e Organização. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
PAIVA, Olga Gomes de (org.). Icó: Patrimônio de Todos. Roteiro para a Preservação do Patrimônio Cultural. Fortaleza: IPHAN, 1999.
Prefeitura de Santo André. Vila de Paranapiacaba: Onde a Preservação é o Caminho para o Desenvolvimento e Sustentabilidade Local. Santo André, 2006. CD-ROM.
TIRAPELI, Percival. Conhecendo os Patrimônios da Humanidade no Brasil. São Paulo: Metalivros, 2001.
YÁZIGI, Eduardo. A Alma do Lugar: Turismo, Planejamento e Cotidiano. São Paulo: Contexto, 2002.