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sábado, 21 de junho de 2008

Contradição: a identidade nacional

Por Jessé A. Chahad


Novais e Cardoso de Mello vão afirmar que entre as décadas de 50 e 80, a sociedade brasileira presenciou um movimento pendular de prosperidade que logo depois foi suprimido pelo sentimento de pessimismo.
De maneira geral, é razoável acreditar que o Brasil apresentou grandes taxas de crescimento, e investiu em infra-estrutura de maneira suficiente para o desenvolvimento do sistema capitalista. Assim como até então, os modelos importados, as idéias fora do lugar, a modernização do país se dava tardiamente se comparamos com outros paises, o México, por exemplo.
A inclusão do Brasil no sistema capitalista viria a complementar o modelo americano, criador de modas e costumes que agora contava com a indústria voltada a produção de eletrodomésticos e a indústria da propaganda, ditadora dos novos costumes que deveriam ser difundidos pelo mundo, principalmente após a vitória na Segunda Guerra Mundial.
Se modernidade era malha viária, investimento em energia e participação na sociedade de consumo, então já estava terminado o processo civilizatorio proposto pelo american way of life, mas em um país que já vivia as contradições geradas pelo sistema colonial, e posteriormente pela importação de usos e costumes europeus ficava ainda mais complicado o desenvolvimento real do país.
Novais lembra que historicamente a modernização resultaria da tensão permanente entre o conjunto de valores mercantis, utilitários, (...) capitalistas que corporificados em instituições (...) põe freios ao funcionamento desregulado e socialmente destrutivo do capitalismo, e isso não se configura no Brasil. Sendo assim a seu próprio modo, a sociedade procurou se adaptar, e mesclar seu passado colonial, paternalista e religioso com o mundo freneticamente novo que era trazido de fora mais uma vez.
Citando Caio Prado Jr., não há nexos éticos entre os homens, mas só relações de exploração econômica e de dominação política. A sociedade baseada na idéia do favor e do jeitinho se apropriava do que julgava necessário ao seu desenvolvimento, de um lado a classe dominante se favorecia de diversas inovações tecnológicas, e do outro, a população rural e os descendentes de negros ficavam excluídos do processo, e buscavam se inserir na modernidade abandonando as práticas campesinas e migrando para as cidades.
Com o avanço e consolidação do capitalismo no Brasil, estaria consolidada a cena da luta de classes, com todas as desvantagens necessárias para enfraquecer qualquer movimento, as ditaduras militares viriam a congelar as estruturas de modo que quanto mais o país se desenvolveu e enriqueceu, maior se tornou a população pobre, e a concentração de renda é a maior do mundo, pelo menos até o fim do período recortado.
Nos dias de hoje, o Brasil ainda figura entre os mais ricos, principalmente se considerarmos o seu potencial para o capital financeiro especulativo, a nova face do capitalismo que acirra ainda mais as diferenças e determina de uma vez que a mobilidade social proposta pelo sistema só acontece dentro das classes favorecidas.
Se há uma peculiaridade exclusiva do povo brasileiro, talvez resida na capacidade de se abster e não perceber tais contradições. Um exemplo simples se dá em qualquer fila de banco, onde os pobres se aglomeram, geralmente para pagar alguma conta, que religiosamente deve ser honrada. De pé, e sem direito a um mero copo de água, é raro algum cidadão se lembrar de que o banco que ele está lucra a cada semestre quantias na casa dos bilhões.
A valorização da ética protestante do trabalho ainda faz com que a sociedade busque se inserir no sistema, como empregado, sendo elo principal da corrente que nunca será quebrada, pois o emprego lhe garantiria o mínimo de sustento e de inclusão no mercado de consumo, esse sim o verdadeiro objetivo do brasileiro de hoje. Desde continue exercendo seu papel na divisão do trabalho internacional, e de periferia na economia mundial, tudo continua funcionando perfeitamente para quem está no comando.
Talvez ainda não tenha sido superado o sentido da colonização, de abastecer o mercado externo com matérias primas e ficarmos com o resto de tudo, seja no âmbito social ou cultural. A confusão entre público e privado é herança colonial, e a sociedade brasileira como sociedade de aparências foi tratada por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil.
A modernização no Brasil não contou com planejamento de acordo com as demandas da nossa sociedade e nem deveria ser, pois serviria e serviu ao capital estrangeiro como sempre foi. Inúmeros são os fenômenos produzidos culturalmente para tentar amenizar as contradições, que sempre deverão existir, pois são parte crucial do funcionamento do capitalismo. Em um jogo de futebol, o esporte símbolo do país, pobres e ricos chegam a ficar lado a lado na torcida, participando do mesmo mundo, em busca de um mesmo ideal, e com condições semelhantes. Porém ao sair do estádio, cada um volta ao seu nicho, e o pobre vai passar a noite tentando voltar de ônibus para casa enquanto seu amigo de agora pouco passa diante de seus olhos de carro importado.
Portanto, se para Maria da Conceição Tavares nós copiamos tudo menos o que é essencial: formas de organização capitalista capazes de assegurar um mínimo de capacidade autônoma de financiamento e inovação, esse processo não se deu por acaso, pois o que copiamos foi exatamente o necessário para que entrássemos na nova ordem mundial sem a que ocorresse qualquer mudança da estrutura social já presente, e que garantiria permanência das mesmas classes dominantes no poder.

O luxo e o lixo: desejo, necessidade e vontade

Por Jessé A. Chahad

Em sua tentativa inovadora para a época, de estudar a civilização material, Fernand Braudel se propõe a estudar a produção e o consumo de alimentos que até então eram desprezados, por não serem considerados importantes na historia da humanidade, no que diz respeito a sua essencialidade para a sobrevivência do homem.
Para Braudel, os produtos considerados supérfluos devem ser abordados, pois o conceito de luxo será para ele fundamental no desenvolvimento do capitalismo e da sociedade consequentemente. Mesmo a idéia do luxo estando presente em civilizações imemoriais, Braudel acredita que após a Idade Média o comercio de produtos de luxo se intensifica, sendo apropriado exclusivamente pela camada aristocrática, criando assim mais um fator de diferenciação social.
De certa forma, este pensamento está em concordância com a tese de Henri Pirenne, que defende que mesmo durante o período medieval mais nefasto, ainda existia o comércio de artigos de luxo. Esses artigos seriam ainda mais valorizados com a descoberta de novos mercados fornecedores de especiarias e matérias primas na era moderna. A comédia do luxo praticada pelas classes dominantes seria depois reproduzida pelas massas, visto que os ricos são condenados (...) a preparar a vida futura dos pobres.
Braudel afirma que a propagação do luxo então seria nada mais do que a apropriação de excedente, em outras palavras, para a existência de tal fenômeno, seria preciso todo um arcabouço, solidificado após o feudalismo, que garantiria que a massa deveria trabalhar, ou seja, produzir o necessário, para sustentar a existência da necessidade do supérfluo.
A meu ver, se o homem é realmente filho do desejo e não da necessidade, não seria lógico ele menosprezar a sua sobrevivência em preferência ao supérfluo. Pelo contrario, apenas após a solução do que é vital, e com todas as necessidades biológicas suplantadas é que surge espaço para aquilo que não é necessário, a idéia da obrigatoriedade do conforto e do prazer obtido através da cultura material. A contradição existente entre a miséria e o luxo, estaria então tencionada a coexistir e através da História devemos problematizar essa coexistência.
Ao falar sobre o período de aumento e retração do consumo de carne na Europa, Braudel demonstra que durante a Idade Média se consumira mais carne do que na era Moderna, e que ainda se comparadas à algumas civilizações asiáticas, a Europa do ocidente poderia ser vista como privilegiada no consumo de carne, mas para além dos séculos XV e XVI, o luxo à mesa seria reservado a poucos.
Como tão amplamente analisado por Norbert Elias, o conceito de civilização foi sendo desenvolvido ao longo de centenas de anos, num processo de longa duração, e teve como função demonstrar que a sociedade ocidente era superior a oriental, constituindo-se esta noção como uma visão de si mesma.
Percebe-se como esta noção vai ganhar uma conotação diferente com a Revolução Francesa, pois agora, o processo civilizador vai ser considerado como algo concluído nos países mais desenvolvidos economicamente, que agora teriam a missão de levar esta civilização a paises menos desenvolvidos, ou seja, a estes territórios considerados inferiores, levariam o mais alto padrão civilizador já alcançado.
Neste momento, começa-se a idéia de tentar ver o desenvolvimento da humanidade através de estágios, na qual existiriam os povos superiores e os povos inferiores.
Durante o próprio século XIX, as novas teorias positivistas dariam o suporte científico a esta visão, o evolucionismo de Spencer e o darwinismo social, procuravam comprovar que as sociedades se encontram em diferentes estágios evolutivos, criando assim a dicotomia bárbaro/civilizado, na qual o homem branco constituir-se-ia como superior, estando no topo da pirâmide racial como o homem civilizado.
É importante lembrar que historicamente a humanidade se organiza de maneira desigual e, a partir do inicio do capitalismo e das sociedades de mercado, ela só prospera em alguns países em detrimento de outros. Enquanto alguns desejarem o supérfluo, não haverá como prover o necessário para todos, já afirmava Braudel.Em outras palavras, enquanto para uns o desejo de satisfazer a vontade do supérfluo é de suma importância, para a maioria tal possibilidade só é possível após a superação do que é realmente necessário para sua sobrevivência.

A História da alimentação na sociedade do hedonismo.

Por Jessé A. Chahad




Alimentação e sociedade



O caráter primário aqui atribuído à alimentação então seria o caráter biológico, o da necessidade de se alimentar.
Parece-me razoável acreditar na teoria tradicional contida nos livros didáticos de História, na qual o homem primitivo, sua a afirmação como grupo dominante, e a reprodução da espécie humana foram proporcionados pelo aprendizado da agricultura através da prática da observação[1].
O plantio aliado à caça formaria as bases da cultura da alimentação humana, e proporcionaria o desenvolvimento de novas ferramentas, demanda das novas práticas alimentares[2]. A elaboração de bebidas e alimentos preparados cozidos é um exemplo.
O próprio conceito de sociedade pode ter surgido a partir da socialização dos alimentos, uma vez que em grupo, os homens deveriam administrar os recursos de maneira a fortalecer o grupo. A domesticação e cultivo passaram a gerar excedentes, que eram distribuídos em banquetes, e marcavam a celebração da colheita. Esse é o segundo aspecto ou caráter da alimentação a ser demonstrado aqui, o caráter social, ou agregador.
Alguns historiadores chegam a classificar a sociedade como fundamentalmente agrícola, principalmente a partir do século IX, levando em consideração o estabelecimento do sistema feudal, que proporcionaria o renascimento do comércio e um novo salto no progresso da civilização[3]. As especiarias assumem papel importante na história da alimentação, pois agregam valor simbólico antes inexistente a diversos alimentos, e seu comércio nas grandes navegações era destinado em sua maioria a um comércio de luxo, praticado durante a Idade Média e intensificado na era moderna. Diversos alimentos de usos restritos as camadas da aristocracia conferiam uma diferenciação social criada a partir de práticas alimentares.
O País da Cocanha, lugar utópico festivo, onde a comida era abundante e o trabalho não era necessário, onde existiam rios de leite e de vinho, queijos e pães eram obtidos sem dificuldade era não apenas uma utopia strictu sensu, mas um sonho que às vezes era perseguido como real pelos europeus.
Com a descoberta do novo mundo, criou-se uma possibilidade de reprodução do paraíso na Terra, sonho perseguido pelos cristãos, recém saídos da Idade Média e que agora poderiam enfim encontrar a Cocanha, a terra abundante de alimentos, festas, orgias que agora poderia lhe pertencer.
Sabemos através de várias fontes que a fome era uma dificuldade enfrentada sempre, quase que de forma cíclica pela população[4], e a natureza era muitas vezes severa sendo uma dificuldade a ser superada pelo homem para garantir a sua sobrevivência[5] e a de seus familiares. O clima temperado, frio, as chuvas fortes eram responsáveis pela pouca incidência de alimentos e consequentemente pelo enfraquecimento sistemático mesmo no sentido biológico da raça humana, sendo normal em escavações o alto numero de restos mortais de pessoas com estaturas franzinas e com deficiência de cálcio, uma característica que durante algum tempo foi quase que um estigma acoplado ao da fome: a subnutrição.
A onda de fome de 1315 alcança um numero de mortos que apesar das divergências em relação a sua exatidão, a historiografia concorda que foram números altos, maiores que a de outras ondas de fome anteriores[6]e marca uma ruptura em um processo de crescimento demográfico que havia lhe antecedido. Em suma, nesse período de breve crescimento demográfico, não cresceu paralelamente a produção de alimentos, e nem o avanço tecnológico necessário para isso[7], o que poderia explicar o surto de fome, que sempre reforça a idéia de se ter uma esperança relacionada a um futuro melhor, em um país imaginário, ou ainda no paraíso propriamente dito, visto que uma vida de sacrifícios era recompensada teoricamente com um lugar no céu cristão.

Os estudos dedicados aos herbários da era Moderna revelam que eram um tipo de publicação muito difundido no período, e tratava dos domínios animais, vegetais e minerais[8]. A história do desenvolvimento da botânica, da farmacologia se confunde com a história da alimentação, se considerar essas plantas como alimento. A palavra droga, deriva do termo holandês drug, que durante muito tempo foi usado para designar produtos secos, como nozes ou pimentas.
A partir da industrialização do sistema capitalista, mais uma vez os hábitos alimentares passariam por uma transformação. O período de guerras incrementou as pesquisas que buscavam uma solução para uma possível crise de falta de alimentos, dentro do contexto de catástrofe eminente criado pela Guerra fria. Os alimentos sintetizados supririam a demanda emergencial do contexto bélico na pior das hipóteses, porém ao final do conflito, com a vitória do capitalismo, tais pesquisas não poderiam ser desperdiçadas, e assim os alimentos industrializados precisariam ser difundidos na sociedade.
A evolução da ciência farmacêutica, portanto acompanhou o processo de sintetização pelo qual também a alimentação após as revoluções industriais. As ciências naturais foram suplantadas pela ciência industrial, e hoje qualquer prática que se utiliza dos conhecimentos antigos sobre curas a base de ervas ou alimentos é vista como puro charlatanismo e descrença. Claro que durante a Idade Média a Igreja deu inicio ao extermínio de religiões que se utilizavam das ciências naturais, mas após a revolução higienista foi o estado que se apropriou do monopólio da cura, com o estabelecimento da medicina moderna como ciência inquestionável.


Drogas e bebidas na sociedade hedonista.


Dentro do horizonte sugerido, o uso de drogas e bebidas também varia de acordo com o contexto histórico. O vinho desde tempos inomináveis foi utilizado no sentido de busca de prazer, mas sempre dentro do contexto também alimentício, pois acompanhava o banquete. A busca pelo prazer então não estava relacionada diretamente ao consumo do vinho, mas sim ao consumo em grupo e motivado por um evento comemorativo. O mito antigo de Dionísio já alertava que o vinho deveria ser diluído em água, a fim de evitar a embriagues, e exercer o autocontrole. O vinho, ou o uso do vinho no mundo clássico era então sinônimo de responsabilidade.
Certas drogas, por sua vez foram largamente utilizadas com sentido religioso por diversas civilizações, explorando suas propriedades alucinógenas em práticas rituais, em busca do contato com o sagrado, ou divino. Na América, temos o uso dessas substâncias em todas as civilizações principais, Maias, Astecas e Incas, tanto no contexto religioso, quanto medicinal, dois planos que então não se separavam[9].
Se utilizarmos um anacronismo a nosso favor, pensando no campo da história, onde a problematização do passado se dá a partir de paradigmas do presente, o uso religioso, medicinal ou social foi suplantado pelo uso em busca do prazer individual e imediato, hedonista, fruto da sociedade extremamente individualizada que carrega o fardo da ditadura da felicidade.
A ingestão de bebidas alcoólicas por si só já virou uma cultura, independente do caráter festivo ou reunião em grupo, mas não mais está ligada à idéia de responsabilidade, e sim pelo contrário, para se permitir ser irresponsável e aproveitar os efeitos da embriagues sem se preocupar com o mundo real. A propaganda divulgava o american way of life como modelo civilizatório e nele estava contida a idéia de prazer, conforto no sentido de ser feliz.
Ora, se o mundo pós-guerra estava destruído, a impossibilidade da felicidade real levava as pessoas à loucura, ou a busca de fuga de realidade, e as bebidas e drogas assumiam novos papéis. As bebidas ainda mais que as drogas, pois enquanto as drogas passaram por um processo de construção de preconceito e proibição que não serão aqui analisados, as bebidas têm a propaganda a seu lado e estão diretamente ligadas a idéia da busca do prazer.
Daí o desenvolvimento de inúmeras doenças crônicas ligadas ao conceito criado de escapismo, como dependência química ou alcoólica. No caso das drogas a proibição gerou problemas estruturais gravíssimos principalmente no terceiro mundo, pois a simples proibição obviamente não acabaria com a demanda da sociedade pelo seu consumo, visto que foi o próprio sistema capitalista pós moderno que levou a inversão de valores e de costumes, pois o escapista quer escapar de algo, e esse algo é o mundo que te obriga a ser feliz, mas não te dá condições materiais de alcançar a felicidade, ainda que fútil e fabricada para mascarar os horrores da guerra.
Para aqueles que não tem interesse no uso de bebidas e drogas em busca do prazer, o capitalismo encontrou a solução através da fetichização de outros alimentos em geral. Retomando a idéia de Braudel do luxo à mesa, e traduzindo o luxo na contemporaneidade por prazer, a criação de um mercado de alimentos que não mais ligados apenas à necessidade de nutrição, funcionam como as drogas e bebidas no sentido do escapismo. A proliferação da obesidade, doença antes considerada genética é evidencia de que a sociedade se alimenta de supérfluos, e essa necessidade vem suprir a demanda pelo prazer, que acontece de maneira legal e indiscriminada, ignorando os malefícios para o organismo, mas feliz em poder consumir aquele produto que a sociedade diz que você deve consumir para ser uma pessoa feliz, sempre com o auxilio da propaganda.
A história da alimentação então relacionada com historia social e cultural nos faz enxergar que os costumes e pratica alimentares da sociedade são parte do seu contexto histórico, e a reinvenção de valores ainda se dá a partir das camadas dominantes. Em tempos contemporâneos de superprodutividade, a fome e a miséria ainda resistem e se institucionalizaram para que pudessem exercer seu papel no sistema capitalista.
A busca pelo prazer nas camadas pobres é realizada pela simples presença da comida, enquanto a minoria abastada cria e recria modas e luxos a fim de buscarem também o seu prazer. Nos dois casos, a realização momentânea de um ato que trará felicidade e satisfação se encerra ao final da refeição. Se alimentar e se divertir ao mesmo tempo é o panis et circenses dos nossos dias que acomoda a sociedade, dando a impressão de estar plena e satisfeita com a nossa realidade apocalíptica e desigual.
Bibliografia

BRAUDEL, Fernand. Civilização material e capitalismo. Séculos XV-XVIII. Rio de Janeiro. Edições Cosmos. 1970.

CARNEIRO, Henrique S. Amores e sonhos da flora. Afrodisíacos e alucinógenos na botânica e na farmácia. São Paulo. Xamã Editora. 2002.

HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos. O breve século XX. 1914-1991. São Paulo. Companhia das letras. 1994.

MENESES, Ulpiano T. Bezerra de; CARNEIRO, Henrique S. A História da Alimentação: balizas historiográficas, in: Anais do Museu paulista. História e cultura material. São Paulo. Edusp. 1997. V5.

PARKER, Geoffrey. (Org.). Atlas da História do mundo. São Paulo. Time Books. 1995.

PIRENNE, Henri. História econômica e social da Idade Média. São Paulo. Editora Mestre Jou. 1968.

OSGOOD, Robert E. (Org.) Os Estados Unidos e o mundo. Da Doutrina Truman ao Vietnã.São Paulo. Ibrasa. 1972.
[1] Geoffrey PARKER, Atlas da História do Mundo, p.35.

[2] Derek BIRDSALL, Carlo CIPOLLA, The technology of man, p.29.

[3] Henri PIRENNE, História econômica e social da Idade Média, p.15 a 30.

[4] Hilário FRANCO JUNIOR, A utopia da abundancia: A Cocanha, p.26.

[5] Georges DUBY, Guerreiros e camponeses. Primórdios do crescimento econômico europeu séc.VII a XII.,p.17.

[6] Henri PIRENNE, Historia econômica e social da Idade Média, p.200.

[7] Gerald A.J.HODGETT, Historia Social e Econômica da Idade Média, p125.

[8] Henrique CARNEIRO, Amores e sonhos da flora, p.23.
[9] Henrique CARNEIRO, Amores e sonhos da flora, p.177.